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Antes de Tite, tivemos um comunista raiz na Seleção: João Saldanha

Estava demorando. Se tudo é politizado aqui no Brasil, incluindo vacinas e drogas diversas, por que não a paixão nacional? Na última semana, o fla-flu político chegou ao futebol. O estopim de tudo foi uma declaração de do técnico Tite, que disse exatamente o seguinte: “Eles [os jogadores da Seleção] têm uma opinião, a externaram lealmente ao presidente [da CBF] e vão externar de forma pública no momento oportuno”. Segundo os governistas, essa frase seria uma indicação que o treinador seria contra a realização da Copa América no Brasil. A hashtag #ForaTite ficou nos trending topics do Twitter por conta disso.

Logo depois, vídeos do mesmo Tite dando parabéns ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou negando uma visita de cortesia ao presidente Jair Bolsonaro começaram a circular nas redes sociais. Resultado: uma nova hashtag, desta vez #ForaTiteComunista, passou a circular com grande popularidade.

Já tivemos um comunista declarado no comando da Seleção Brasileira: João Saldanha. Foi ele quem classificou um Brasil totalmente desacreditado, depois do fiasco de 1966, à Copa de 1970. E caiu por interferência política. Não deixava de ser curioso: em plena ditadura militar, um discípulo do comunismo era o líder do símbolo máximo da Nação, o seu time nacional de futebol.

Saldanha não era exatamente uma unanimidade, mas era tolerado porque o time tinha passado pelas Eliminatórias. Teria comandado o escrete na Copa, apesar da ideologia, se não tivesse criado três casos. Um foi com a comissão técnica. Outra com o então presidente Emílio Garrastazu Médici, que era fã do centroavante Dario e gostaria de vê-lo usando a camiseta amarela. Saldanha disse: “Eu não escalo o ministério e o presidente não escala o meu time”. Por fim, antes de um amistoso com o Chile, disse que Pelé ficaria na reserva. Foi a gota d’água. Acabou substituído por Mário Zagallo, que levou o tricampeonato para casa.

Já tivemos craques de esquerda, como o genial Sócrates, que não chegou a ganhar um título pela Seleção. Mas seu futebol, em especial os toques espetaculares de calcanhar, encantava a todos. O fato de ser esquerdista incomodava? Enquanto o Brasil estivesse ganhando, isso nem era levado em consideração.

Mas Tite deve ser demitido por ser comunista? Ou melhor: ele é comunista porque puxou o saco de Lula no passado? Se isso for um crime, é bom lembrar, há inúmeros empresários que cometeram esse pecado e hoje metem o pau no PT.

Futebol, religião e ciência não combinam com política. Estamos perdendo energia preciosa com a politização de absolutamente tudo o que nos cerca.

Até quando vamos continuar a desperdiçar nosso tempo?

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