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Alckmin: o que fazer para não ser ultrapassado por Haddad?

Da redação
12 de setembro de 2018

No começo do ano, Geraldo Alckmin (PSDB) desdenhava das pesquisas de intenção de voto, em que aparecia na rabeira. O argumento: ele nem era candidato oficial. Meses depois, foi sacramentado candidato entre os tucanos. O mau desempenho nas pesquisas continuou. Nova desculpa: a campanha não tinha começado. Sair às ruas para vender seu projeto tampouco alterou o cenário. Mais uma justificativa: o horário eleitoral na TV não tinha começado. Crescer nas pesquisas, segundo ele, dependeria da propaganda na televisão. Há pouco mais de dez dias os eleitores – pelo menos os que ainda assistem à TV – são bombardeados com a imagem e a voz de Alckmin, que tem o maior tempo de propaganda entre os candidatos. E o tucano, embora tenha, de fato, crescido nas intenções de voto, ainda não convence: vê Jair Bolsonaro (PSL) consolidado na liderança e Fernando Haddad, agora candidato oficial do PT, sair de 4% para 9% nas pesquisas do Datafolha entre 22 de agosto e 10 de setembro.

Não dá para descartar Alckmin no segundo turno. Mas, a cada dia se torna algo menos provável. A consultoria Eurasia crava em 60% a chance de o petista estar no segundo turno, provavelmente contra Bolsonaro.

O que Alckmin pode fazer para mudar isso? Ele tem insistido em tentar roubar os eleitores de Bolsonaro. Não está funcionando. Há alguns dias, Fernando Henrique Cardoso, que não tem a pretensão de ser estrategista de campanha (embora seja um político arguto), disse que o PSDB deveria antecipar a disputa com o PT já no primeiro turno. FHC acredita que Alckmin deve disputar uma das vagas no segundo turno contra Haddad e deixar a outra com Bolsonaro. Faz sentido?

Talvez faça, se lembrarmos que, nas últimas eleições municipais, em 2016, o tucano João Doria Junior levou a Prefeitura de São Paulo no primeiro turno, derrotando Fernando Haddad, que buscava a reeleição, usando e abusando de uma retórica bastante agressiva contra Lula e o PT. Sem medo de se expor aos contra-ataques, ele usou o discurso de que o PT cometeu o “maior assalto aos cofres públicos” e, em poucos meses, o desconhecido “empresário-coxinha dos Jardins” foi ungido para comandar a maior metrópole do país.

Alckmin deveria fazer o mesmo? E ele tem o perfil para fazer isso de um modo que convença os eleitores? Doria um neófito na política e, portanto, não tinha a imagem desgastada por nenhum escândalo. Alckmin, embora não tenha sido condenado, não pode dizer o mesmo. O eleitor compraria o discurso dele contra a corrupção?

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