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A falta que um articulador político faz

A falta que um articulador político faz

O estilo “a bola está com o Congresso” criou uma das situações mais constrangedoras que já se viu no Parlamento: durante audiência da Comissão de Constituição e Justiça, um ministro de Estado foi bombardeado impiedosamente pela oposição sem que ninguém o defendesse. Paulo Guedes enfrentou de maneira estoica o pugilato oposicionista por três horas. Foi quando o primeiro parlamentar da base aliada apareceu para lhe dar um respiro.

Paulo Guedes teve três momentos explosivos em cerca de 7 horas. Para o volume de pancadas que tomou, foi até pouco. Mostrou consistência e segurança na defesa da Reforma. Mas o episódio deixou claro que o governo não está preparado para enfrentar uma oposição barulhenta e disciplinada. Jair Bolsonaro ficou 27 anos no Congresso, mas não se pode dizer que o presidente seja um bom articulador político. Pelo contrário, seu temperamento estourado tem dado o tom bélico na relação entre Executivo e Legislativo.

Entre a eleição e o início do governo, Bolsonaro mostrou-se comedido. Depois da operação que retirou a bolsa de colostomia, no entanto, voltou a comportar-se como o parlamentar de pavio curto que tanto conhecemos. Até aí, tudo bem. Fernando Collor tinha um humor parecido. Mas contava com vários aliados para botar panos quentes no Congresso, como Ricardo Fiúza, Renan Calheiros, Jorge Bornhausen, Joaquim Roriz e Jarbas Passarinho. Mesmo com essa tropa de choque, entretanto, o relacionamento com o Congresso foi tumultuado.

Hoje, não há tropa de choque e a pessoa que mais tenta controlar os ânimos entre os dois poderes é a deputada Joice Hasselmann, conhecida por não ser exatamente a parlamentar mais calma do Congresso. O governo precisa urgentemente de uma liderança política, com a cabeça fria e os pés no chão. Não pode se dar ao luxo de um novo constrangimento como o da primeira audiência da CCJ. A falta de articulação, inclusive, pode sair muito caro na captação de votos para aprovar a Reforma da Previdência. O embate que Bolsonaro criou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mostrou que o governo acabou perdendo um aliado importante na amarração dos interesses do Executivo no Congresso.

O espetáculo lamentável na CCJ também mostrou que os deputados do PT e do PSOL parecem viver numa realidade paralela, na qual o déficit público não existe e no qual há dinheiro jorrando para pagar todas as necessidades do país. Neste mundo à parte, a expectativa de vida hoje é igual à de 30 anos atrás e as contas da previdência estão em ordem. O problema, para eles, é a crueldade do governo, que resolveu rever as regras previdenciárias porque não tinha nada melhor para fazer. O raciocínio oposicionista, no entanto, esbarra na dura versão oferecida pelos fatos: durante o governo do próprio PT, o então ministro Carlos Gabas (hoje um crítico da Reforma) tentou mexer nas regras de aposentadoria, pois viu que as contas não fechariam num futuro próximo.

Esta realidade não mudou. Pelo contrário. Está pior. O governo precisa se organizar. Bolsonaro foi eleito para recolocar o país no caminho do crescimento. Não para criar polêmicas inúteis que só fazem a Nação perder um tempo que se mostra cada vez mais precioso.

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