Até a semana passada, o grupo de candidatos que poderia aglutinar os eleitores de centro e de direita chegava a sete nomes. Os cinco primeiros eram governadores de estado (Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Eduardo Leite) e os restantes eram do clã Bolsonaro (a ex-primeira-dama Michelle e o deputado Eduardo). Um estudo feito pelo instituto Paraná Pesquisas, no entanto, sacudiu a direita e aparentemente concentrou a disputa em torno de dois nomes.
Michelle apareceu com 44,4% das intenções de votos e derrotaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (com 40,6%, o que configura um empate técnico). A ex-primeira-dama teve um resultado ligeiramente superior ao do governador Tarcísio de Freitas, que também derrotaria Lula em condições de igualdade estatística (43,6% contra 40,1%).
Isso foi suficiente para que os bolsonaristas descartassem qualquer iniciativa para que Michelle fosse colocada como vice de uma chapa encabeçada por qualquer um dos cinco governadores que são vistos pela sociedade como postulantes à sucessão.
Mas isso não quer dizer que a esposa de Jair Bolsonaro seja unanimidade entre os conservadores. Em um evento de pecuaristas realizado no início da semana, segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, os empresários do setor querem que o ex-presidente desista logo de disputar o pleito de 2026 e desejam que o governador de São Paulo seja o candidato da direita para tirar o PT do páreo. É sempre bom lembrar que Bolsonaro foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral em junho do ano retrasado.
Ainda faltam alguns meses para que as candidaturas sejam definidas de fato. Por isso, ainda é cedo para tirar Ratinho, Caiado, Zema e Leite da disputa. Mas parece que o funil está se estreitando, pelo menos neste momento, entre o governador paulista e a ex-primeira-dama.
Os entusiastas da candidatura de Tarcísio, no entanto, entendem que seu nome só será viabilizado com o apoio de Bolsonaro. Se houver uma escolha de Sofia, como vai agir o ex-presidente?
O empresariado, pelo jeito, já escolheu Tarcísio, que hoje tem menor rejeição que Michelle, segundo pesquisa da Paraná realizada em abril. Além disso, os representantes da livre iniciativa também preferem o governador por sua experiência na vida pública, que faria muita diferença em debates presidenciais.
Por enquanto, Michelle parece ter um discurso monotemático quando fala em público, concentrando-se bastante em questões religiosas. Quando muito, fala de inclusão feminina, mesmo assim respeitando os limites impostos pela agenda conservadora.
O perfil da ex-primeira-dama, por ora, não empolga a Faria Lima ou a Fiesp, para ficar nos ícones paulistanos da iniciativa privada. Mas Tarcísio, o predileto deste grupo, não fará nada sem o aval de seu antigo chefe.
Hoje, Michelle e Tarcísio estão praticamente empatados em intenções de voto. Mas quem teria mais condições de crescimento? Qual dos dois nomes poderia melhor se contrapor ao discurso atrasado de Lula? Quem teria maior potencial de crescer no Nordeste, ainda onde o PT tem grande vantagem?
Estas são perguntas que apenas os marqueteiros políticos, com pesquisas na mão, poderão responder com propriedade. Como o tempo está passando rápido e o empresariado quer uma definição, estes profissionais de comunicação já estão procurando a resposta. Mas muitos já bateram o martelo em favor de Tarcísio. Basta, agora, combinar o jogo com Bolsonaro.
