Com investimento de £ 700 milhões, grupo de Richard Branson acirra a concorrência sob o Canal da Mancha
Braço ferroviário do grupo do bilionário Richard Branson, a Virgin Trains, recebeu autorização do regulador britânico Office of Rail and Road (ORR) para operar trens internacionais sob o Canal da Mancha, encerrando o monopólio de 31 anos da Eurostar. O novo serviço, previsto para 2030, conectará Londres, Paris, Bruxelas e Amsterdã.
A entrada da Virgin acontece poucos meses depois de a Uber anunciar seus próprios planos de trilhar o Eurotúnel. Em parceria com a startup Gemini Trains, a plataforma revelou em agosto que pretende lançar, em 2029, um serviço de trens de alta velocidade ligando Londres a Paris, Bruxelas, Amsterdã e Lille — com compra de passagens diretamente pelo aplicativo e integração com outros modais, como táxis e bicicletas.
A iniciativa da Uber, ainda em análise regulatória, promete tarifas mais baixas, maior conforto e conectividade digital, usando as estações Stratford International e Ebbsfleet International como novas portas de entrada. O movimento abriu caminho para uma competição inédita sobre trilhos no trecho que une o Reino Unido à Europa continental.
Agora, com a Virgin entrando na disputa, a pressão sobre a Eurostar se intensifica. O projeto de Branson deve atrair £ 700 milhões (US$ 923 milhões) em novos investimentos e gerar 400 empregos diretos. O plano da Virgin foi considerado “financeiramente mais robusto” que o de concorrentes rejeitados, incluindo a própria Gemini, e será financiado pela Equitix e Azzurra Capital, com a compra de 12 trens da Alstom.
“Vamos revolucionar a rota através do Canal e dar aos consumidores a escolha que eles merecem”, afirmou Branson. A entrada de gigantes como Uber e Virgin marca o fim do domínio da Eurostar, que transportou 19,5 milhões de passageiros em 2024, e inaugura uma nova fase de concorrência, inovação e preços mais competitivos nas viagens entre o Reino Unido e o continente.
