Aumento da alavancagem e queima de caixa pressionam a avaliação da petroquímica
A S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Braskem (BRKM5) de “BB” para “BB-”, citando aumento da alavancagem e queima de caixa. A agência também colocou a companhia em CreditWatch negativo, o que indica possibilidade de novo corte nos próximos 90 dias se não houver melhora nos resultados.
De acordo com relatório da S&P, o desempenho do segundo trimestre de 2025 (2T25) foi considerado fraco, com queda nas margens e consumo elevado de caixa. O cenário reflete tensões comerciais globais, preços pressionados e estoques de matérias-primas compradas a custos mais altos em períodos anteriores.
A agência revisou para baixo suas premissas de crescimento de volume e apontou que a Braskem não ganhou participação de mercado mesmo após o aumento de impostos de importação no Brasil. Com isso, projeta ebitda mais fraco e liquidez menor, com alavancagem medida pela dívida/Ebitda estimada em 9 vezes em 2025 e 7 vezes em 2026.
A Braskem afirmou em comunicado que segue comprometida com a disciplina financeira e com iniciativas para enfrentar o ciclo de baixa da indústria petroquímica.
No 2T25, a empresa reportou prejuízo de R$ 267 milhões, queda de 93% em relação ao mesmo período de 2024. O ebitda recorrente somou R$ 427 milhões, contra R$ 1,67 bilhão um ano antes. Já a receita líquida recuou para R$ 17,86 bilhões, frente aos R$ 19,07 bilhões de 2024.
O investimento previsto para 2025 é de R$ 2,4 bilhões, dos quais R$ 515 milhões foram realizados até junho. A companhia também informou que, apesar da maior gestão de capital de giro, houve consumo de caixa de R$ 1,45 bilhão no trimestre, contra R$ 74 milhões no mesmo período do ano anterior.
