Companhia acelera obras para universalizar água e esgoto em SP até 2029 e acompanha privatização da Copasa em Minas
A Sabesp informou nesta quarta-feira (4) que investiu R$ 15,2 bilhões em 2025, alta de 120% em relação ao ano anterior, em meio à aceleração das obras para universalizar os serviços de água e esgoto no estado de São Paulo até 2029.
Privatizada em 2024, a companhia — maior do setor na América Latina — tem o grupo Equatorial como acionista de referência e atende 371 municípios paulistas, com metas de universalização estabelecidas no contrato de concessão.
Segundo a empresa, atualmente a Sabesp conecta em média 2.400 domicílios por dia à rede de água e esgoto, com 1.100 frentes de obras em andamento. Apenas em 2025, foram entregues 16 estações de tratamento de esgoto e quase 800 quilômetros de grandes tubulações.
“A gente fez 2,8 milhões [de conexões] até agora e a meta do contrato fala em 4,1 milhões até o final de 2026”, afirmou o CEO Carlos Piani, em entrevista à Reuters, ao comentar o número de domicílios conectados a serviços de água, coleta e tratamento de esgoto.
De acordo com Piani, antes da privatização a Sabesp respondeu por cerca de 30% dos investimentos em saneamento do Brasil, e agora pode chegar a quase 50% do total do setor no país.
A empresa informou ainda que, em 2025, cumpriu entre 130% e 150% das metas previstas para os três serviços, o que incluiu a conexão de 664 mil imóveis à rede de água e 781,5 mil à coleta de esgoto. O tratamento foi ampliado para 1,37 milhão de imóveis.
Investimentos fortes em 2026
A expectativa da companhia é manter o ritmo elevado. “Provavelmente, vamos ver ainda no ano de 2026 um volume de investimento maior”, disse Piani.
O executivo afirmou que a antecipação das obras também funciona como estratégia para dar mais margem de planejamento às próximas etapas do contrato, que devem se tornar mais complexas nos próximos anos.
A Sabesp deve entregar até meados de 2026 à Arsesp, agência reguladora estadual, um censo dos municípios atendidos. Segundo Piani, as metas até 2026 ainda se baseiam em dados que não incluem integralmente áreas informais, como favelas e zonas rurais.
A partir de 2027, porém, o acompanhamento de universalização passa a ser feito por percentual de cobertura, com metas “mais granulares” e cobrança por município — e, em 2028, por recortes dentro de cada cidade.
Empresa acompanha privatização da Copasa
Piani afirmou ainda que a Sabesp segue avaliando oportunidades para expandir sua atuação para outros estados, e citou como exemplo o processo de privatização da mineira Copasa (CSMG3).
Segundo ele, o interesse dependerá não apenas do preço, mas principalmente das regras do modelo de privatização, que o governo de Minas Gerais tenta viabilizar até abril, em um processo que pretende levantar ao menos R$ 10 bilhões.
“O sucesso de uma concessão depende das regras do jogo”, disse Piani, destacando que a regulação do serviço em Belo Horizonte e a estrutura de atendimento da Copasa — presente em mais de 600 municípios — ainda levantam dúvidas, especialmente porque uma parcela relevante das cidades não possui coleta e tratamento de esgoto.
O CEO também comparou o caso com São Paulo, onde a regionalização ajudou a reduzir a complexidade de contratos municipais com características diferentes. Para ele, o processo em Minas ainda tem “muita coisa a ser definida”, incluindo a negociação com os demais municípios além da capital, que representa cerca de 30% da receita da Copasa.
