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Quem é John Ternus, engenheiro que assume a Apple após 15 anos de Tim Cook

Da redação
1 de setembro de 2026
Com 25 anos de empresa, novo CEO ajudou a desenvolver iMac, iPad, Apple Silicon e outros produtos; agora herda uma companhia pressionada por IA, regulação e busca por um novo ciclo de inovação

John Ternus assumiu nesta terça-feira (1º) o cargo de CEO da Apple, encerrando os 15 anos de Tim Cook à frente da companhia. A troca marca uma mudança importante na história recente da empresa, mas também coloca no comando um executivo profundamente ligado à cultura e ao desenvolvimento de seus produtos.

Ternus está na Apple há 25 anos. Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia, começou a carreira trabalhando com equipamentos de realidade virtual antes de ingressar, em 2001, na equipe de design de produtos da fabricante do iPhone.

Nos anos seguintes, participou de algumas das principais transformações de hardware da companhia. Liderou a engenharia do iMac, trabalhou no desenvolvimento do primeiro iPad e posteriormente assumiu responsabilidades sobre Mac, iPhone, AirPods e Apple Watch.

Um dos capítulos mais relevantes de sua trajetória foi a transição dos Macs dos processadores Intel para os chips Apple Silicon. A mudança, iniciada em 2020, ampliou o controle da Apple sobre a integração entre hardware e software e se tornou uma das principais viradas tecnológicas da empresa na gestão Cook.

Em 2021, Ternus chegou ao primeiro escalão como vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware. Desde então, acumulou responsabilidades sobre áreas como Apple Watch, robótica e design, movimento que já o colocava entre os nomes mais cotados para suceder Cook.

Perfil técnico e atenção aos detalhes

Ternus construiu uma reputação de executivo técnico e detalhista. Em um discurso na Universidade da Pensilvânia, contou que, ainda no primeiro ano de Apple, chegou a passar parte de uma madrugada examinando com uma lupa os parafusos usados em um Cinema Display porque o acabamento não correspondia exatamente às especificações.

O perfil também aparece em relatos de antigos colegas. Segundo reportagens da Bloomberg e do New York Times citadas nas matérias sobre sua trajetória, Ternus costuma aprofundar discussões de engenharia, procurar diretamente quem conhece determinado produto e manter proximidade com as equipes técnicas.

Ao mesmo tempo, sua carreira também passou por decisões menos bem recebidas. Ele esteve entre os defensores da Touch Bar dos MacBooks e ocupava posições de liderança em hardware durante a geração dos teclados “borboleta”, alvo de reclamações de consumidores.

O desafio de suceder Tim Cook

Ternus assume uma empresa muito diferente daquela que Tim Cook recebeu em 2011. Sob Cook, o valor de mercado da Apple passou de cerca de US$ 350 bilhões para mais de US$ 4 trilhões, enquanto a companhia ampliou receitas de serviços, fortaleceu sua cadeia de suprimentos e transformou o iPhone no centro de um ecossistema global.

Cook permanecerá próximo. O ex-CEO assumiu a presidência executiva do Conselho de Administração e deve ajudar na transição, inclusive em temas políticos e institucionais.

Para Ternus, porém, a cobrança será diferente. Se a era Cook ficou marcada principalmente pela eficiência operacional e pela expansão financeira, o novo CEO chega sob pressão para acelerar a inovação.

A inteligência artificial está no centro dessa tarefa. A Apple tenta reduzir a distância em relação a rivais como Google, Microsoft e OpenAI e ampliar a presença de recursos de IA generativa em seus dispositivos. Ao mesmo tempo, enfrenta limitações de hardware, dificuldades regulatórias em mercados como Europa e China e questionamentos sobre a velocidade de sua estratégia.

Outra frente é encontrar o próximo grande motor de crescimento da companhia. O iPhone continua sendo o produto mais importante da Apple, mas o mercado acompanha há anos a busca da empresa por uma nova categoria capaz de repetir, ainda que parcialmente, seu impacto.

O primeiro grande evento sob o comando de Ternus acontece já em 9 de setembro, quando a Apple deve apresentar uma nova geração de iPhones e pode revelar novidades importantes de hardware e inteligência artificial.

A troca de comando, portanto, não representa uma ruptura completa com o passado. Ternus é um executivo formado dentro da própria Apple. A diferença estará no que fará com essa herança: depois de uma era de escala e eficiência, caberá ao engenheiro mostrar se consegue recolocar produto e inovação no centro da história da empresa.

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