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Preparação de sucessores vira maior preocupação na advocacia empresarial

Da redação
22 de julho de 2026

Pela primeira vez, a sucessão e a formação de novas lideranças aparecem como o maior desafio dos escritórios de advocacia brasileiros, superando a concorrência de mercado. A constatação vem da pesquisa Impactos e Tendências BOLD HRO, realizada com 32 escritórios de diferentes portes, que ouviu sócios fundadores, gestores, líderes de RH e executivos. O levantamento mostra que 31,3% dos entrevistados apontam liderança e sucessão como principal preocupação, enquanto 25% citam competitividade. Cultura e engajamento, geração de novos negócios, retenção de talentos e gestão de pessoas aparecem em seguida.

“Os escritórios já compreenderam quais são os pilares do crescimento. O desafio agora é transformar essa estratégia em gestão. Quando liderança e sucessão passam a ocupar o primeiro lugar da agenda, fica evidente que o crescimento depende menos das condições do mercado e mais da capacidade de desenvolver pessoas e preparar a próxima geração”, afirma Maria Eduarda Silveira, sócia-fundadora da BOLD HRO e responsável pela pesquisa (imagem).

Apesar da relevância do tema, apenas 43,7% acreditam que suas lideranças estão preparadas para elevar o desempenho das organizações. Entre as principais lacunas estão o desenvolvimento de novos líderes, a formação de sucessores, comunicação estruturada e visão de negócios. Na prática, a sucessão ainda é conduzida de forma pouco estruturada, com iniciativas pontuais como mentoria direta e exposição gradual à gestão de clientes, enquanto programas formais de desenvolvimento e trilhas de carreira seguem pouco frequentes.

O estudo também revela que, embora 90,7% dos escritórios considerem a capacidade de gerar negócios essencial para a sociedade, apenas 21,9% utilizam perfil comercial como critério de contratação, priorizando capacidade técnica, alinhamento cultural e pensamento crítico. Além disso, precificação e rentabilidade aparecem como preocupações mais relevantes do que a conquista de novos clientes.

A pesquisa destaca ainda o impacto da inteligência artificial no setor. Para 68,8% dos respondentes, a tecnologia será a principal força de transformação nos próximos cinco anos. Hoje, 43,8% já utilizam IA de forma estruturada, principalmente em pesquisa jurídica, revisão de contratos e due diligence. Quase todos os escritórios pretendem ampliar investimentos em tecnologia digital nos próximos dois anos, reforçando a necessidade de desenvolver competências humanas estratégicas como liderança, visão de negócios e relacionamento com clientes.

Outro ponto sensível é a cultura organizacional. Embora 65% afirmem ter uma cultura sólida, todos registram algum nível de turnover, e 43,7% apresentam rotatividade superior a 20%. As novas gerações demandam feedback contínuo, reconhecimento, flexibilidade e modelos híbridos de trabalho. Atualmente, 90,6% dos escritórios já adotam algum formato híbrido, com 53,1% operando três dias presenciais por semana.

Os resultados indicam que o diferencial competitivo dos escritórios nos próximos anos dependerá menos da excelência técnica e mais da capacidade de formar líderes e sucessores preparados para conduzir equipes, desenvolver negócios e sustentar o crescimento em um ambiente cada vez mais impactado pela tecnologia.

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