Governo português retoma plano com a meta de vender 49,9% do capital da companhia. Do total, 5% serão destinados aos funcionários
O governo de Portugal anunciou nesta quinta-feira (10) a retomada do processo de privatização da TAP, sua companhia aérea nacional, com o objetivo de vender 49,9% do capital social. Desse total, 44,9% serão destinados a investidores privados e 5% reservados aos funcionários da empresa.
A decisão marca a primeira fase da reprivatização da TAP, suspensa diversas vezes nos últimos anos por crises políticas e éticas. O primeiro-ministro Luís Montenegro, que assumiu um novo mandato em junho, afirmou que a medida cumpre uma promessa de campanha e busca tornar a companhia mais eficiente, sustentável e competitiva internacionalmente.
“Não queremos continuar colocando dinheiro em um poço sem fundo. Queremos que a TAP seja rentável, bem administrada e a serviço do interesse estratégico do país”, declarou o premiê.
O anúncio reaquece a expectativa por uma possível disputa entre grandes conglomerados aéreos europeus, como IAG (grupo dono da Iberia e British Airways), Lufthansa e Air France-KLM, que já haviam demonstrado interesse na companhia em tentativas anteriores de venda.
Um dos pontos mais sensíveis do processo é a manutenção do aeroporto de Lisboa como hub da TAP. O governo português sinalizou que não aceitará propostas que enfraqueçam o papel da capital como centro de conexões internacionais — uma preocupação especialmente em relação à IAG, que já controla o hub de Madri.
A TAP voa para 86 destinos em 31 países, com fortes ligações para o Brasil e outros mercados lusófonos da África, como Angola e Moçambique. A companhia foi nacionalizada em 2020, após quase entrar em colapso durante a pandemia, com um pacote de resgate de € 3,2 bilhões autorizado pela União Europeia.
Após prejuízos bilionários em 2021, a TAP voltou a lucrar, registrando ganho recorde de € 177 milhões em 2023 e € 54 milhões em 2024. A nova rodada de privatização prevê análise rigorosa das propostas nos aspectos financeiro, técnico e estratégico. Segundo Montenegro, o governo pode suspender o processo caso os objetivos definidos não sejam atingidos.
Mais detalhes sobre a operação serão divulgados pelos ministérios das Finanças e das Infraestruturas nos próximos dias.
