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O morango do amor é pura lógica de marca insurgente

Lorena Scavone Giron
31 de julho de 2025
Fenômeno nas redes sociais, sobremesa expôs mudança no comportamento do consumidor e desafiou produtos consolidados na base do apelo afetivo, estética de feed e narrativa emocional poderosa

No mundo do consumo, um doce simples com morango, leite condensado e chocolate virou símbolo de uma transformação silenciosa – mas profunda e talvez duradoura – no varejo brasileiro. Batizado de morango do amor, deixou de ser apenas uma sobremesa conhecida para se tornar um fenômeno. Mais do que viralizar, abriu espaço para um novo modelo de produto: emocional, visual e intencionalmente compartilhável. Parte de sua explicação está na definição: é uma marca insurgente. Se tivesse surgido um pouco antes, talvez o modismo marqueteiro o batizasse de marca disruptiva. Com um pouco de vocabulário sociológico, um resgate culinário.

“O morango do amor não viralizou por acaso”, diz Matheus Mota, CEO da B4You, empresa especializada em construção de marcas. “Ele resgata a memória afetiva da maçã do amor, aciona a criança interior, tem um visual pensado para parar o feed e carrega uma narrativa emocional que convida o público a fazer parte de algo maior que uma simples compra”, afirma.

Essa nova lógica de consumo inverte o que por muito tempo foi regra. Em vez de grandes campanhas publicitárias, com orçamentos milionários, o que move o consumidor agora é identificação. “As decisões de compra não nascem da razão, mas da emoção. As pessoas consomem o que as representa, o que emociona, o que parece pertencer ao seu grupo”, reforça Mota.

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Segundo ele, esse fenômeno marca a ascensão das chamadas marcas insurgentes, que rejeitam o modelo tradicional de comunicação de massa e apostam na autenticidade, no vínculo real com o consumidor e na performance digital. “Empresas como Cacau Show e Kopenhagen, mesmo com estrutura robusta e reconhecimento consolidado, não conseguiram entregar um produto com o mesmo poder de compartilhamento e engajamento orgânico”, destaca.

O sucesso não é espontâneo, mas resultado de uma fórmula precisa, explica Mota. “Existe uma engenharia por trás. Produto com mecanismo emocional, storytelling compartilhável, visual marcante, estratégia de influência com micro e nano influenciadores, campanhas orgânicas que performam melhor que tráfego pago.”

Para ele, o varejo brasileiro pode estar diante de uma mudança. “Os produtos que emocionam, engajam e geram comunidade estão ocupando um espaço que antes era exclusivo das grandes campanhas. Para os próximos anos, quem dominar os mecanismos de viralização vai dominar o mercado”, afirma. Neste caso, o produto nem tem uma grande empresa nos bastidores.

Resta saber se alguém vai surfar essa onda que conquistou o Brasil. Para Mota, é só o começo: “O morango do amor é só o início de uma revolução muito mais doce, e também muito mais lucrativa, do que a gente imagina.”

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