Levantamento do G4 revela resiliência: empresários temem a economia nacional em 2026, mas 70% acreditam no sucesso do próprio negócio
Apesar do ceticismo com os rumos da macroeconomia brasileira, as pequenas e médias empresas (PMEs) seguem em rota de expansão. O relatório anual Raio X do Empreendedor, produzido pelo G4, aponta que o setor conseguiu converter desafios em receita no último ano, consolidando um cenário de “otimismo pé no chão” para 2026. O estudo ouviu 816 empresas, majoritariamente sócios e fundadores — decisores diretos da estratégia empresarial — com predominância do setor de serviços e faturamento acima de R$ 1 milhão ao ano.
O paradoxo do crescimento
O levantamento mostra um contraste nítido entre percepção econômica e desempenho empresarial. Enquanto metade dos líderes ainda projeta piora da economia brasileira, a confiança na própria gestão segue elevada. O pessimismo, inclusive, recuou cerca de 11 pontos percentuais em relação ao ano anterior, indicando migração gradual da expectativa de crise para estabilidade.
Em termos de resultado financeiro:
- 57,8% das empresas aumentaram o faturamento em 2025, avanço de 2,4 pontos percentuais frente ao ano anterior;
- 29,4% cresceram até 20%;
- 28,4% ultrapassaram 20% de expansão;
- 13,5% registraram queda, evidenciando maior polarização entre crescimento e retração.
Mesmo entre empresários pessimistas com o país, cerca de 70% acreditam que seus próprios negócios terão desempenho melhor, fenômeno que o estudo chama de “paradoxo do empreendedor brasileiro”.
Impacto econômico menor do que o esperado
Outro dado relevante mostra que 54% dos empresários afirmam não ter sofrido impacto significativo do cenário econômico, enquanto a percepção de impacto negativo caiu para 31,1%, redução de 4,6 pontos percentuais frente a 2025.
O indicador sugere maior capacidade de adaptação das empresas, que vêm ajustando gestão, tecnologia e estratégia comercial para amortecer turbulências externas.
Obstáculos no radar: política, juros e talento
A incerteza política continua no topo das preocupações, especialmente em ano eleitoral. Mas o perfil das dificuldades varia conforme o setor:
- Serviços: retenção de clientes e integração de inteligência artificial;
- Indústria e agro: custo de capital e juros elevados;
- Comércio: maior pressão sobre receitas, com aumento das empresas reportando queda.
Além disso, marketing e vendas seguem como principal desafio para mais da metade das empresas (53,4%), enquanto gestão de pessoas ganha relevância, refletindo a escassez de mão de obra qualificada.
O “gap” da inteligência artificial
A inteligência artificial consolidou-se como prioridade estratégica: cerca de 59% das empresas apontam IA e automação como tendência crucial, embora a adoção estruturada ainda avance de forma gradual.
O foco dos investimentos também começa a mudar. Marketing continua liderando, mas perde espaço para gestão estratégica, tecnologia e desenvolvimento de talentos — sinal de amadurecimento do ecossistema empreendedor.
Estratégias de sobrevivência e expansão
Para enfrentar volatilidade econômica e escassez de profissionais qualificados, as PMEs vêm priorizando três frentes:
- Fortalecimento comercial e marketing;
- Desenvolvimento interno de talentos;
- Investimentos em gestão, tecnologia e relacionamento com clientes.
A análise final do estudo indica que o empreendedor brasileiro está mais profissionalizado, tecnológico e resiliente — mas ainda operando sob vigilância constante diante das incertezas econômicas.
