Banco digital controlado pela J&F busca listagem na Nasdaq após registrar lucro de R$ 313,8 milhões em 2025
O banco digital PicPay protocolou pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) junto à Securities and Exchange Commission (SEC), marcando a segunda tentativa da companhia de acessar o mercado de capitais nos Estados Unidos. A fintech pretende listar suas ações na Nasdaq, sob o código “PICS”.
De acordo com o prospecto enviado ao regulador norte-americano, o PicPay registrou lucro líquido de R$ 313,8 milhões nos nove primeiros meses de 2025, encerrados em 30 de setembro. O resultado representa um avanço expressivo frente aos R$ 172 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.
A receita total somou R$ 7,26 bilhões, quase o dobro dos R$ 3,78 bilhões registrados nos nove primeiros meses de 2024, refletindo a expansão da base de clientes e o aumento do uso dos serviços financeiros oferecidos pela plataforma.
O crescimento também se refletiu no volume transacionado. O volume total de pagamentos (TPV) alcançou R$ 392,46 bilhões no período, alta de aproximadamente 32% na comparação anual, segundo os dados divulgados pela empresa.
Controlado pela holding J&F, que também é dona da JBS, o PicPay havia suspendido seus planos de IPO em 2021 diante de um cenário global adverso. Agora, a companhia tenta aproveitar a reabertura gradual da janela de ofertas nos EUA, após quase três anos de baixa atividade no mercado de capitais.
Embora o mercado americano de IPOs tenha mostrado sinais de recuperação em 2025, a volatilidade recente — influenciada por disputas comerciais, incertezas políticas e correções em ações ligadas à inteligência artificial — ainda limita uma retomada mais robusta. Para 2026, analistas projetam um ambiente mais favorável, com fintechs e empresas de criptoativos sinalizando novas aberturas de capital.
Segundo o documento, os recursos captados com a oferta serão destinados a fins corporativos gerais, incluindo capital de giro, despesas operacionais, cumprimento de exigências regulatórias e investimentos estratégicos.
A operação tem coordenação global de Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets.
