É o quarto ano consecutivo de resultados anuais no vermelho e o 14° trimestre seguido apresentando resultados negativos
Os Correios fecharam 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões, marcando o quarto ano seguido de resultado negativo, após lucros de R$ 1,5 bilhão em 2020 e de R$ 3,7 bilhões em 2021. A sequência de perdas se acentuou desde 2022, quando a empresa apurou prejuízo de R$ 767,58 milhões, seguido por R$ 596,6 milhões em 2023 e R$ 2,6 bilhões em 2024, deixando o patrimônio líquido da estatal em R$ 13,1 bilhões negativos ao fim de 2025. É o 14º trimestre consecutivo de prejuízo da estatal desde o quarto trimestre de 2022.
O principal fator por trás do rombo do ano passado foi o provisionamento de obrigações judiciais, que concentraram cerca de R$ 6,4 bilhões das despesas, sobretudo referentes a precatórios e provisões trabalhistas. Paralelamente, aumentaram custos operacionais e despesas gerais e administrativas, enquanto a queda de receitas e a alta de juros dos empréstimos tomados entre 2024 e 2025 ampliaram o desequilíbrio financeiro da empresa.
Para evitar o colapso do fluxo de caixa, os Correios contrataram, quase no fim de 2025, empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa), operação com garantia da União e prazo de carência de três anos. O Tesouro também autorizou a ampliação do teto de empréstimos com garantia da União em mais R$ 8 bilhões, ainda a ser contratado, enquanto a empresa apertou a liquidez postergando pagamentos de cerca de R$ 3,7 bilhões de compromissos com fornecedores e operações.
Diante do cenário, a estatal lançou em 2025 um plano de reestruturação que inclui demissão voluntária (PDV), venda de imóveis e renegociação de passivos judiciais para tentar equilibrar o caixa. A projeção inicial era de mais de 10 mil adesões ao PDV em 2026, mas apenas 3.181 funcionários aderiram até o momento, e os leilões de imóveis registraram adesão baixa, com apenas quatro unidades vendidas em dois certames, apesar do objetivo de gerar cerca de R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias.
A sequência de prejuízos acumulados nos Correios traduz a condução falha do governo sobre suas estatais, que combinou agravamento de custos operacionais, explosão de passivos judiciais e uso intenso de endividamento com garantia da União para segurar o caixa, em vez de implementar ajustes estruturais consistentes. Essa trajetória mostra um modelo de gestão reativo, focado em socorro financeiro pontual e em medidas de curto prazo, como renegociações judiciais e PDVs, sem a construção de um plano de reforma de governança, eficiência e parceria público‑privada capaz de interromper a sucessão de resultados negativos e recuperar a sustentabilidade econômica da empresa.
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