Justyna Valente, da TAP, discutiu com Luiza Trajano e Amy Barklam como transformar cultura interna em estratégia global de marca
Reconstruir a reputação de uma empresa exige mais do que uma nova campanha publicitária. É preciso rever processos, alinhar equipes e transformar valores em comportamentos percebidos pelo cliente.
Essa foi uma das principais mensagens de Justyna Valente, profissional de Marketing e Branding da TAP Air Portugal, durante o painel “Mulheres que conectam mundos — Liderança, influência e oportunidades sem fronteiras”, realizado nesta quarta-feira, 5, no Summit Mulheres nas Profissões, em São Paulo.
Ao lado de Luiza Helena Trajano e Amy Barklam, comissária de Comércio do Reino Unido para a América Latina e o Caribe e cônsul-geral britânica em São Paulo, a executiva discutiu como cultura corporativa, diversidade e articulação internacional podem se transformar em ativos de negócio.
Valente abordou o processo de reposicionamento da TAP após o desgaste de imagem enfrentado pela companhia, especialmente no período da pandemia. Segundo ela, a recuperação da confiança não poderia depender apenas da comunicação externa.
“A comunicação não era suficiente. Era preciso mudar também a cultura”, afirmou.
O trabalho começou dentro da empresa, com a revisão do posicionamento da marca e o envolvimento dos funcionários, principalmente daqueles que mantêm contato direto com os passageiros. A companhia passou a traduzir valores como acolhimento, disponibilidade, curiosidade e compreensão em atitudes concretas no atendimento.
Esse processo deu origem ao posicionamento “TAP abraça o mundo”, criado para aproximar a empresa da identidade portuguesa e reforçar sua atuação como ponte entre países, pessoas e culturas.
Para Valente, uma marca só consegue sustentar sua reputação quando existe coerência entre o que promete ao mercado e a experiência que entrega ao consumidor. Em setores altamente competitivos, como a aviação, essa consistência se torna ainda mais importante.
A executiva também destacou que a indústria aérea permanece predominantemente masculina, sobretudo nos cargos de liderança e nas áreas técnicas. Na avaliação dela, ampliar a presença feminina não deve ser visto apenas como uma questão de representatividade, mas como uma vantagem competitiva.
Mulheres em posições de decisão, afirmou, ajudam a incorporar novas perspectivas sobre inovação, experiência do cliente, bem-estar, flexibilidade e sustentabilidade.
O debate também avançou sobre o papel das conexões internacionais na geração de oportunidades. Amy Barklam afirmou que a diplomacia, na prática, é construída por relações entre empresas, governos, investidores e organizações da sociedade civil.
Segundo ela, lideranças capazes de aproximar diferentes setores e criar objetivos comuns podem gerar impactos que ultrapassam uma única empresa ou país.
“As mudanças mais transformadoras acontecem quando conseguimos reunir pessoas em torno de um objetivo comum”, disse.
Barklam também ressaltou que desafios como desigualdade de oportunidades, violência contra mulheres e acesso à educação exigem cooperação de longo prazo entre países e instituições.
Ao longo do painel, Luiza Trajano defendeu que mulheres ocupem mais espaços de decisão e fortaleçam redes capazes de abrir oportunidades umas para as outras.
A discussão mostrou que, em mercados cada vez mais globais, liderança feminina, cultura corporativa e reputação não são agendas separadas. Quando combinadas, podem fortalecer marcas, ampliar conexões e criar novas possibilidades de crescimento.
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