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O CEO improvável: Nile Rodgers

Muitos não vão ligar o nome à pessoa, assim como não sabem o que fazem figuras como James Quincey, Steve Easterbrook e Doug McMilon – respectivamente, os CEOs de corporações como Coca-Cola, McDonald’s e Wal-Mart. Estamos falando do guitarrista e produtor musical Nile Rodgers. Ainda não caiu a ficha? Ele tocava guitarra e era um dos responsáveis pelo sucesso da banda Chic, nos anos 1970. Depois, enveredou pelo mundo da produção e, sob sua batuta, várias músicas se tornaram estrondosos sucessos e viraram clássicos da música pop. Exemplos? “Like a Virgin”, de Madonna. “Let’s Dance”, de David Bowie. Ou “Upside Down”, com Diana Ross. “We Are Family”, de Sister Sledge. “Roam”, dos B—52’s. Mais recentemente, “Get Luck”, com a banda Daft Punk e Pharell Williams nos vocais. A lista de hits com a assinatura do guitarrista do Chic é interminável e eclética.

Nile Gregory Rodgers nasceu numa família pobre em Nova York e passou por uma infância difícil, tendo de lidar com uma mãe dependente de drogas. Aprendeu a tocar guitarra e, com pouco mais de 18 anos, fazia parte da banda que fazia os shows da Vila Sésamo em turnê pelos Estados Unidos.

O sucesso veio em 1977, com a banda Chic e dois grandes sucessos iniciais: “Everybody dance” e “Dance, Dance, Dance”. No ano seguinte, veio seu primeiro teste como CEO improvável. Ele havia escrito, com o parceiro Bernard Edwards, uma canção chamada “Le Freak”, que começava de uma forma nada convencional para os padrões da época. Um arranjo vocal que se tornaria conhecido no mundo inteiro: “Aaaaaaah, Freak out! Le Freak, c’est chic, Freak out!”.

A música, escrita depois que ele tinha sido barrado na portaria da legendária discoteca Studio 54 (a letra original era “Aaaah, Fuck Off! Studio Fifty-Four, Fuck Off!”). Percebendo que tinha um sucesso nas mãos, reescreveu os insultos da letra original, gravou uma fita demo e levou à gravadora. Na sala de reuniões, apertou a tecla “play” e viu, um a um, todos os executivos saírem da sala. Ao final da música, sobraram apenas ele e Edwards. Os dois saíram da sala e viram todos os dirigentes do selo numa discussão sobre como dizer a ele que a música não prestava.

Rodgers bateu o pé e ameaçou deixar a gravadora. O disco foi lançado com uma tremenda má-vontade. E se transformou, durante décadas, no compacto simples mais vendido da história da Atlantic, o mesmo label de feras como Led Zepellin, Genesis e Aretha Franklin.

A mesma perseverança – uma característica de todos os CEOs de sucesso – pode ser vista numa outra passagem de sua vida como produtor. Diana Ross gravou um álbum com ele na produção e o tocou, antes do lançamento, para amigos, que não gostaram nada do resultado final. Ms. Ross ficou insegura e quis mudanças. Rodgers insistiu e, no final, apenas ajustes de mixagens foram feitos. Valeu a insistência. O carro-chefe do disco, “Upside Down”, se transformou no maior sucesso da carreira de Diana Ross.

O guitarrista entendeu perfeitamente o mercado da música e soube mudar de caminho no momento oportuno. Até 1979, a chamada disco-music ia de vento em popa – e isso era ótimo para a banda de Rodgers, que faturava alto e tocava em todas as pistas de dança do mundo. Ocorre que, em 12 de julho daquele ano, tudo mudou. Foi quando um disc-jóquei de Chicago resolveu convocar a população do estado de Illinois a comparecer ao estádio de Comiskey Park para assistir um jogo dos White Sox. No intervalo, uma atração especial – a queima de álbuns do gênero discoteca. Em vez dos 5.000 torcedores que costumavam ser a audiência deste tipo de jogo, o estádio recebeu 50.000 pessoas. E milhares de discos foram queimados, numa fogueira gigante. Inúmeras faixas com as inscrições “Disco Sucks” (“Disco não presta”) no local mostraram que o fenômeno musical estava à beira da exaustão.

Ele, então, resolveu dar um tempo como músico e apostou todas as suas fichas como produtor, iniciando uma segunda carreira de sucesso que superou a primeira. Apesar de ter criado um som único de guitarra, com riffs reconhecidos mundialmente, Nile Rodgers passará à história como responsável por milhões e milhões de discos vendidos. E para nós, de Money Report, será sempre lembrado por ter ilustrado nossa galeria semanal de CEOs Improváveis.

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