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Nomad vê renda fixa nos EUA e IA como apostas para proteger carteiras

Da redação
28 de julho de 2026
Relatório da fintech aponta cenário de juros elevados por mais tempo, recomenda evitar títulos de longa duração e vê oportunidades tanto no mercado americano quanto na B3

A combinação de juros elevados no Brasil e nos Estados Unidos deve manter a renda fixa americana entre os principais destinos para investidores no segundo semestre, enquanto os setores ligados à inteligência artificial continuam sustentando as perspectivas para a Bolsa dos EUA. Essa é a avaliação da fintech Nomad, que divulgou nesta terça-feira (28) seu relatório “Mid Year 2026: Perspectivas para Investimentos Globais”, no qual revisa o cenário macroeconômico e traça recomendações para a alocação de recursos diante de um ambiente marcado por inflação persistente e maior instabilidade geopolítica.

Segundo o estudo, a expectativa de cortes contínuos de juros perdeu força após a escalada das tensões no Oriente Médio e os impactos sobre os preços do petróleo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve interrompeu o ciclo de afrouxamento monetário e manteve a taxa básica entre 3,5% e 3,75%, enquanto, no Brasil, o Copom encerrou o semestre com a Selic em 14,25% ao ano. Para o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori, o novo cenário exige uma estratégia mais diversificada. “A geopolítica reescreveu as prioridades dos bancos centrais, consolidando juros altos por mais tempo e alterando o posicionamento que vínhamos adotando”, afirmou.

Na renda fixa, a principal recomendação é privilegiar títulos americanos de curto e médio prazo, evitando papéis de longa duração, considerados mais vulneráveis ao ambiente de juros estruturalmente elevados. A Nomad destaca retornos de aproximadamente 5% em títulos com grau de investimento e de cerca de 7% em ativos de maior risco (high yield), além de defender uma postura seletiva no crédito privado e exposição a títulos de mercados emergentes emitidos em moeda forte como forma de diversificação.

No mercado acionário americano, o relatório mantém uma visão positiva para empresas beneficiadas pelo avanço da inteligência artificial. Após o S&P 500 acumular alta de 10,1% no primeiro semestre, impulsionado pelo crescimento dos lucros corporativos, a fintech acredita que segmentos como semicondutores, expansão de data centers e infraestrutura de refrigeração continuarão entre os principais vetores de crescimento. Ao mesmo tempo, recomenda ampliar a exposição a setores defensivos, como saúde, enquanto mantém cautela com empresas ligadas ao consumo discricionário.

Para o mercado brasileiro, a Nomad avalia que a B3 segue negociando com desconto relevante frente a outros países emergentes. O Ibovespa avançou 6,7% no primeiro semestre, mas perdeu parte do fluxo estrangeiro para mercados asiáticos ligados ao desenvolvimento da IA. Ainda assim, o relatório aponta que o múltiplo preço/lucro projetado de 8,1 vezes representa uma assimetria atrativa, embora a retomada dos investimentos internacionais dependa da evolução da inflação, da redução das tensões geopolíticas e da condução da política fiscal durante o período eleitoral.

Entre os ativos alternativos, a fintech afirma que o mercado de criptomoedas atravessa um momento de amadurecimento regulatório nos Estados Unidos, apesar da forte correção registrada pelo Bitcoin no primeiro semestre. Para a Nomad, o avanço da regulamentação das stablecoins e a definição de regras para investidores institucionais fortalecem os fundamentos do setor, mas a orientação para os próximos meses continua sendo de cautela, com foco em qualidade dos ativos e diversificação internacional para reduzir riscos e preservar patrimônio.

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