Resultado acima do previsto não anima Wall Street, que reage a lucro fraco, guidance modesto e dúvidas sobre aquisição da Warner
As ações da Netflix caíram quase 6% no pré-mercado desta quarta-feira (21) após a companhia divulgar um de seus trimestres mais fortes em receita, mas com projeções consideradas fracas para 2026. A empresa superou por pouco as estimativas de faturamento e anunciou que pretende aumentar em 10% os gastos com filmes e séries no próximo ano, depois de investir cerca de US$ 18 bilhões em conteúdo em 2025, quando o volume de assinantes cresceu quase 8% e ultrapassou 325 milhões.
Para o trimestre atual, a Netflix projeta lucro de US$ 0,76 por ação, abaixo dos US$ 0,82 esperados por Wall Street, enquanto as vendas devem alcançar US$ 12,2 bilhões, em linha com as previsões. Segundo o Itaú BBA, os números do balanço são positivos, mas o guidance indica desaceleração: a receita deve crescer entre 12% e 14% em 2026, abaixo dos 16% registrados em 2025, mesmo com ganhos de escala que levam a margem operacional projetada de 29% para 31,5%.
O banco destaca que a Netflix já tem alta penetração em seus principais mercados e se tornou praticamente sinônimo do setor de streaming, o que limita o espaço para aceleração de crescimento. Nesse contexto, preocupa o fato de a receita não mostrar aceleração mesmo com um catálogo mais robusto, reforçando a percepção de que a companhia pode estar perto de seu teto de expansão. A anunciada aquisição dos ativos de estúdio e streaming da Warner Bros., a maior operação do setor e feita por uma empresa historicamente focada em crescimento orgânico, intensifica essas dúvidas.
Na avaliação do Itaú BBA, os fundamentos da Netflix continuam sólidos, mas as projeções mais fracas e a incerteza sobre a consolidação da Warner tornam o quadro menos favorável, especialmente para o investidor de curto prazo. Mesmo com anúncios positivos — como nova interface do aplicativo móvel, avanços em jogos em nuvem e crescimento em todas as regiões, incluindo mercados como Estados Unidos e EMEA —, a leitura geral do banco segue negativa para o papel.
Durante a teleconferência de resultados, o CEO Ted Sarandos e o co-CEO Greg Peters defenderam a oferta de US$ 82,7 bilhões pelos estúdios e pelo negócio de streaming da Warner Bros., destacando o valor de franquias como “Game of Thrones” e “Harry Potter” e o potencial de sinergias com o cinema e a HBO. Eles argumentaram que o ambiente competitivo mudou com a entrada de gigantes como YouTube, Amazon, Apple e Instagram na disputa por audiência, publicidade, talentos e conteúdo, e que a combinação com a Warner traz um negócio de cinema maduro e uma marca de TV de prestígio que complementa a produção da Netflix.
