Empresa supera expectativas do mercado, eleva receita para R$ 1,2 bilhão e reforça posição no segmento de baixa renda; BTG prevê dividendo bilionário após a venda da Riva.
A Direcional encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 230 milhões, alta de 43% na comparação anual e acima das projeções do mercado, que estimavam R$ 212 milhões segundo o consenso LSEG. O ebitda ajustado somou R$ 302 milhões, avanço de 36% ante o mesmo período do ano passado.
O desempenho reforçou o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) anualizado de 38%, um dos mais altos do setor de construção voltado à baixa renda — segmento no qual a Direcional se consolidou como referência.
A receita líquida atingiu R$ 1,2 bilhão, crescimento de 27% em um ano, impulsionada pelas vendas líquidas acima do previsto. O lucro por ação (EPS) ficou 5% acima das estimativas do BTG Pactual.
Além dos números operacionais, a companhia encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 400 milhões, equivalente a 15% do patrimônio. O fluxo de caixa livre somou R$ 107 milhões, dos quais R$ 40 milhões são recorrentes.
Segundo relatório do BTG, a baixa alavancagem combinada ao desempenho forte abre espaço para uma distribuição robusta de dividendos no quarto trimestre — potencializada pela entrada dos recursos obtidos com a venda de participação na Riva. O banco projeta cerca de R$ 1 bilhão em dividendos “em um futuro próximo”. A recomendação para DIRR3 permanece em compra, com múltiplos considerados atrativos.
Riva: a jogada estratégica que reforça caixa e destrava novos negócios
Em dezembro do ano passado, a Direcional vendeu 7,55% da Riva, sua incorporadora voltada ao segmento imediatamente acima do Minha Casa, Minha Vida. A compradora foi a gestora Riza, especializada em crédito e agronegócio, que desembolsou R$ 200 milhões pela fatia inicial, valor que, posteriormente, passou a representar 15% do capital.
A transação foi fechada pouco antes da ampliação do Minha Casa, Minha Vida, que acabou incorporando também o público atendido pela Riva. O reforço de caixa ajudou a companhia a acelerar a estratégia da subsidiária.
Embora a venda tenha sido secundária — com os recursos indo integralmente para a Direcional —, a presença da Riza amplia a capacidade de estruturação de novos negócios. “Nosso sócio tem em torno de R$ 15 bilhões sob gestão, com diferentes estratégias, tornando a Riva mais completa na capacidade de viabilizar negócios que sozinha não teria”, afirmou Ricardo Gontijo, CEO da Direcional, à época. A gestora também pode atuar na compra e permuta de terrenos destinados a novos projetos.
