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Lindt revisa projeção para 2026 diante de incertezas geopolíticas

Da redação
10 de março de 2026
Fabricante suíça de chocolates reduziu expectativa de crescimento das vendas, mas manteve previsão de expansão da margem operacional

A fabricante suíça de chocolates Lindt reduziu suas projeções de crescimento para 2026, citando riscos geopolíticos e incertezas no cenário global. Após o anúncio, as ações da companhia registraram queda no mercado.

A empresa revisou a expectativa de crescimento orgânico das vendas para uma faixa entre 4% e 6%, abaixo da meta de médio e longo prazo anteriormente estimada entre 6% e 8%.

Apesar da redução na previsão de vendas, a companhia manteve inalterada a perspectiva de expansão da margem operacional, projetada entre 20 e 40 pontos-base.

No balanço de 2025, a Lindt reportou vendas orgânicas de 5,92 bilhões de francos suíços (cerca de US$ 7,92 bilhões), crescimento de 12,4% em relação ao ano anterior. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas de analistas consultados pela Visible Alpha, que estimavam 5,93 bilhões de francos suíços.

O lucro líquido da companhia atingiu 727,2 milhões de francos suíços (aproximadamente US$ 936 milhões), alta de 8,1% na comparação anual e acima da projeção do mercado, que era de 721,4 milhões de francos.

A empresa também anunciou um novo programa de recompra de ações no valor de 1 bilhão de francos suíços.

Analistas, no entanto, demonstraram cautela em relação à justificativa apresentada pela companhia para a revisão das projeções. Para Warren Ackerman, analista do Barclays, a exposição da Lindt ao Oriente Médio é limitada, o que levanta dúvidas sobre o peso das tensões geopolíticas na decisão.

Segundo ele, a revisão pode estar mais relacionada à deterioração do sentimento do consumidor e a desafios no crescimento de volumes, embora a marca continue apresentando desempenho superior ao de concorrentes nos Estados Unidos.

Jean-Philippe Bertschy, analista da Vontobel, avaliou que a revisão reflete tanto as incertezas geopolíticas quanto dúvidas sobre a evolução dos volumes em 2026. Para ele, a decisão pode reforçar questionamentos de investidores sobre a capacidade da companhia de retomar um crescimento mais forte nas vendas.

Apesar disso, Bertschy destacou que a geração de caixa da Lindt deve permanecer robusta nos próximos anos, apoiada pelo aumento na distribuição de dividendos e pelo programa de recompra de ações anunciado pela companhia.

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