Fabricante suíça de chocolates reduziu expectativa de crescimento das vendas, mas manteve previsão de expansão da margem operacional
A fabricante suíça de chocolates Lindt reduziu suas projeções de crescimento para 2026, citando riscos geopolíticos e incertezas no cenário global. Após o anúncio, as ações da companhia registraram queda no mercado.
A empresa revisou a expectativa de crescimento orgânico das vendas para uma faixa entre 4% e 6%, abaixo da meta de médio e longo prazo anteriormente estimada entre 6% e 8%.
Apesar da redução na previsão de vendas, a companhia manteve inalterada a perspectiva de expansão da margem operacional, projetada entre 20 e 40 pontos-base.
No balanço de 2025, a Lindt reportou vendas orgânicas de 5,92 bilhões de francos suíços (cerca de US$ 7,92 bilhões), crescimento de 12,4% em relação ao ano anterior. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas de analistas consultados pela Visible Alpha, que estimavam 5,93 bilhões de francos suíços.
O lucro líquido da companhia atingiu 727,2 milhões de francos suíços (aproximadamente US$ 936 milhões), alta de 8,1% na comparação anual e acima da projeção do mercado, que era de 721,4 milhões de francos.
A empresa também anunciou um novo programa de recompra de ações no valor de 1 bilhão de francos suíços.
Analistas, no entanto, demonstraram cautela em relação à justificativa apresentada pela companhia para a revisão das projeções. Para Warren Ackerman, analista do Barclays, a exposição da Lindt ao Oriente Médio é limitada, o que levanta dúvidas sobre o peso das tensões geopolíticas na decisão.
Segundo ele, a revisão pode estar mais relacionada à deterioração do sentimento do consumidor e a desafios no crescimento de volumes, embora a marca continue apresentando desempenho superior ao de concorrentes nos Estados Unidos.
Jean-Philippe Bertschy, analista da Vontobel, avaliou que a revisão reflete tanto as incertezas geopolíticas quanto dúvidas sobre a evolução dos volumes em 2026. Para ele, a decisão pode reforçar questionamentos de investidores sobre a capacidade da companhia de retomar um crescimento mais forte nas vendas.
Apesar disso, Bertschy destacou que a geração de caixa da Lindt deve permanecer robusta nos próximos anos, apoiada pelo aumento na distribuição de dividendos e pelo programa de recompra de ações anunciado pela companhia.
