Estima-se que até 30% das transações online são devolvidas ou trocadas no Brasil
De acordo com o Banco Central (BC), os meios de pagamento no Brasil em 2021 somaram R$ 2,86 trilhões em movimentações por meios eletrônicos (sem doc, ted e cheques), um crescimento de 48% em relação a 2020, que acumulou R$ 1,93 tri. “Desse total [de 2020], estimamos que mais de 42 milhões de compras e pagamentos com todos os cartões existentes (mapeados) e notificados acabaram gerando chargeback de mais de R$ 8 bilhões”, comenta Sérgio Antonio Coelho, sócio e diretor da Kstack, empresa de soluções digitais. Ele cita os dados de 2020, já que os de 2021 saíram apenas nesta terça-feira (6).
Pensando nisso, a Kstack, apresentou uma solução brasileira de gestão, o KSK Chargeback, no modelo ‘software as a service’ (SaaS) por assinatura mensal que pode ganhar serviços de gestão e operação da solução (managed services), de acordo com o cliente. A empresa tem nos meios de pagamento uma de suas verticais e desenvolveu uma plataforma denominada Exceptions. Após investir R$ 10 milhões, lança este ano a primeira solução para credenciadoras (ou adquirentes) e facilitadores (ou subadquirentes).
“Não existia no Brasil uma empresa que vendesse uma solução e pudesse fazer com que as credenciadoras e facilitadoras de pagamentos não precisassem desenvolver sistemas próprios para cuidar disso”, observa Coelho. Os índices de performance que a Kstack espera atingir são da ordem de 70% a 75% na automatização do tratamento com 90 a 105 casos/dia tratados por cada analista.
O que é chargeback?
É o cancelamento de uma compra, com consequente devolução do dinheiro ao proprietário do cartão de crédito ou débito. A operação ocorre quando o titular do cartão não reconhece a compra ou quando há alguma irregularidade na transação, como cobranças a mais pela loja.
Mesmo o chargeback sendo uma opção válida e que atende uma necessidade do consumidor, resulta em prejuízo para o lojista, pois além de perder a venda e precisar arcar com os custos de retorno da mercadoria e embalagens danificadas, também corre o risco de sofrer com multas e penalizações pelas bandeiras. As credenciadoras e facilitadoras de pagamento também são impactadas pelas perdas e custos para a gestão do chargeback.
A justificativa para o serviço de software é o grande volume de cancelamento que se mostra cada vez mais oneroso. Estima-se que, no Brasil, segundo pesquisa da Ebit|Nielsen, cerca de 30% das transações online são devolvidas ou trocadas em algum momento.
“Considerando-se os números recentemente divulgados pela Abecs, a Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito e Serviços, referentes ao 3º trimestre de 2022, e aplicando-se os percentuais que utilizamos – que são conservadores -, os valores podem ser ainda mais impactantes”, pondera Sérgio Coelho.
