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H&M tem lucro recorde, mas prevê vendas mais fracas

Da redação
29 de janeiro de 2026
Controle de custos leva margem acima de 10% no 4º trimestre fiscal, mas companhia sinaliza queda de 2% nas vendas no início do ano e pressiona ações

A Hennes & Mauritz AB (H&M) registrou lucro operacional recorde no quarto trimestre fiscal, impulsionada por um controle mais rígido de custos e pela renovação de suas coleções. O resultado veio acima das expectativas do mercado pelo terceiro trimestre consecutivo, apesar de sinais de desaceleração nas vendas no início do novo ano fiscal.

No trimestre encerrado em novembro, o lucro operacional somou 6,36 bilhões de coroas suecas (US$ 723,2 milhões), superando os 5,5 bilhões estimados por analistas. Embora as vendas líquidas tenham ficado abaixo das projeções, a companhia alcançou margem operacional acima de 10%, patamar inédito para a varejista sueca.

Mesmo com o trimestre histórico, a empresa adotou um tom mais cauteloso para o começo do exercício fiscal atual. A H&M afirmou que as vendas dos dois primeiros meses do ano caminham para uma queda de 2%, o que levou analistas a revisar suas projeções para o restante do ano.

A leitura mais conservadora pressionou as ações em Estocolmo. Os papéis chegaram a recuar 4,3% no início do pregão e caíam 2,5% por volta das 10h17 no horário local.

Margem recorde, mas crescimento sob pressão

Para o mercado, o lucro recorde reflete sobretudo o ganho de eficiência e redução de custos, mais do que uma aceleração consistente das vendas. Segundo o analista James Grzinic, do Jefferies, a projeção divulgada pela companhia coloca sob questionamento a expectativa de crescimento anual de 2,3% a câmbio constante.

O CEO Daniel Ervér tem reforçado investimentos em marketing e promoções para sustentar a retomada e atrair consumidores de volta às lojas físicas e ao e-commerce, em um ambiente ainda marcado por incertezas econômicas e aumento de barreiras comerciais.

No entanto, a empresa reconheceu que a pressão nos custos tende a aumentar. O diretor financeiro Adam Karlsson afirmou que os impactos de tarifas estão passando com mais intensidade para a estrutura de despesas do grupo. Segundo ele, esse efeito deve pesar mais no trimestre atual do que nos três meses anteriores.

Investimentos, dividendos e especulação sobre a bolsa

A H&M prevê investimentos entre 9 bilhões e 10 bilhões de coroas suecas em 2026, com foco na modernização do portfólio de lojas e na infraestrutura tecnológica. O conselho de administração também propôs dividendo de 7,1 coroas por ação, acima da expectativa média de 6,87 coroas.

Nos últimos 12 meses, as ações da companhia acumulam alta de cerca de 25%, sustentadas por programas de recompra e pela ampliação da participação da família fundadora Persson. Ao final do ano, o grupo passou a deter mais de 85% dos direitos de voto — movimento que voltou a alimentar especulações sobre uma eventual saída da H&M da bolsa.

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