Plano firmado com credores envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais e prevê suspensão de pagamentos por 90 dias enquanto empresa negocia reestruturação
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou um plano de recuperação extrajudicial após firmar acordo com seus principais credores para reestruturar parte de suas dívidas. A proposta envolve aproximadamente R$ 4,5 bilhões em obrigações não operacionais da companhia.
O plano prevê a suspensão, por 90 dias, do pagamento de juros e de execuções judiciais relacionadas a essas dívidas. Durante esse período, a empresa pretende negociar as condições definitivas da reestruturação com outros credores.
O pedido foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração do GPA e conta com a adesão de credores que representam cerca de 46% das dívidas afetadas — acima do quórum mínimo legal de um terço. Entre os principais bancos envolvidos estão Itaú, HSBC, Rabobank e BTG Pactual. A proposta ainda precisa ser homologada pela Justiça.
Segundo o CEO do GPA, Alexandre Santoro, a companhia pretende avançar nas negociações com os demais credores ao longo do período de suspensão. Para viabilizar uma reestruturação mais ampla, será necessário obter o apoio de credores que representem ao menos 50% mais um do total da dívida.
A medida ocorre em meio à pressão sobre o caixa da companhia. O GPA registra consumo de caixa há mais de quatro anos. Em 2025, o fluxo de caixa livre operacional somou R$ 669 milhões, valor insuficiente para cobrir o custo da dívida, estimado em R$ 920 milhões.
Parte das obrigações vence no curto prazo. Cerca de R$ 400 milhões em debêntures têm vencimento previsto para maio, enquanto aproximadamente R$ 1,2 bilhão vence em julho.
O CFO Pedro Albuquerque, que assumiu o cargo no início do mês, afirmou que o objetivo é alinhar a geração de caixa da empresa ao seu nível de endividamento no curto e no longo prazo. De acordo com Santoro, um pedido de recuperação judicial está descartado no momento, embora um eventual aumento de capital esteja entre as alternativas avaliadas.
O plano não afeta as operações do grupo. Pagamentos a fornecedores, salários de funcionários e aluguéis de lojas seguem normalmente, segundo a companhia.
O GPA também convocou uma assembleia para 27 de março. Entre os temas da pauta estão a eleição de um novo conselho de administração e a proposta de retirada da cláusula de “poison pill”, que exige a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) caso um acionista ultrapasse 25% do capital.
Atualmente, os principais acionistas da companhia são o Grupo Coelho Diniz, com 24,6% do capital, o Casino, com 22,5%, e o empresário Silvio Tini, que recentemente alcançou cerca de 16% de participação, somando sua fatia e a de sua empresa, a Bonsucex.
O GPA está sendo assessorado pelo escritório Munhoz Advogados e pela consultoria Alvarez & Marsal. As ações da companhia acumulam queda de cerca de 31% desde o início do ano, e o valor de mercado do grupo está em torno de R$ 1,3 bilhão.
