Estudo da Optimiza mostra que, mesmo com a fragmentação da jornada digital, buscador é o preferido dos consumidores brasileiros
Mesmo em um cenário de crescente fragmentação da jornada digital, impulsionado pelo avanço das redes sociais, marketplaces e ferramentas de inteligência artificial, o Google permanece como o principal ponto de partida da busca por produtos e serviços no Brasil. É o que aponta o estudo O Mapa da Busca no Brasil 2026, realizado pela Optimiza, consultoria especializada em SEO, em parceria com a AB Pesquisas & Insights.
De acordo com a pesquisa, embora os consumidores utilizem múltiplas plataformas ao longo do processo de decisão, o Google mantém um papel central sustentado por um alto nível de confiança. Quando questionados sobre qual plataforma vem primeiro à mente ao buscar informações online, 64% dos entrevistados citaram espontaneamente o Google, evidenciando sua posição privilegiada na jornada de informação.
Para a CEO da Optimiza, Júlia Neves, o Google não é apenas uma ferramenta de busca, mas um referencial consolidado, apoiado em um capital de confiança construído ao longo do tempo, que o mantém como ponto de partida recorrente mesmo em um ecossistema cada vez mais distribuído. “Existe um discurso de que a IA substituiu a busca, mas o comportamento do consumidor continua ancorado no Google quando a intenção é decidir, comparar e comprar.”
O estudo também mostra que o Google não atua de forma isolada. Para 72,4% dos respondentes, o buscador funciona como âncora do processo de decisão, enquanto outras plataformas ganham relevância em etapas complementares. YouTube (6,8%), marketplaces (5,6%), Instagram (5,5%) e ferramentas de inteligência artificial (4,4%) são utilizadas para aprofundamento, comparação e validação de informações. Ainda assim, a decisão final tende a retornar ao Google, especialmente em situações de informações conflitantes entre diferentes fontes.
Outro achado relevante do estudo é o elevado nível de confiança nos resultados orgânicos do Google, percebidos como mais confiáveis do que os anúncios pagos. A maioria dos usuários afirma conseguir diferenciar links patrocinados de resultados naturais e, a partir dessa leitura crítica, tende a evitar cliques em anúncios. O levantamento mostra que 16,4% dos consumidores nunca clicam em links patrocinados, priorizando conteúdos percebidos como mais legítimos, enquanto apenas 1,4% dos entrevistados dizem não reconhecer essa distinção.
“Esse comportamento reforça o papel estratégico do SEO não apenas como técnica de visibilidade, mas como um pilar de confiança em um ecossistema de busca cada vez mais complexo”, destaca Neves.
Segundo o relatório, o futuro da busca no Brasil será marcado por ecossistemas híbridos, que combinam texto, voz, imagem, vídeo e inteligência artificial. Nesse contexto, o Google tende a manter sua relevância não por concentrar toda a jornada, mas por seguir como referência de credibilidade, estabilidade e confirmação.
Para marcas e profissionais de marketing, o desafio deixa de ser apenas “rankear melhor” e passa a ser existir de forma consistente, confiável e coerente em múltiplos pontos da jornada, acompanhando a evolução do comportamento do consumidor.
Metodologia
O estudo foi conduzido a partir de uma abordagem quantitativa e qualitativa, com 1.000 consumidores com 18 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil, entrevistados em dezembro de 2025. A coleta de dados quantitativos foi realizada por meio do Painel de Consumidores da Offerwise, plataforma de pesquisa de mercado especializada na América Latina. Para enriquecer a análise, o levantamento contou ainda com a contribuição de três especialistas, cujas interpretações atravessam os diferentes eixos temáticos do relatório.
