A Azzas 2154 anunciou uma ampla reorganização societária que, na prática, desfaz a combinação entre Arezzo&Co e Grupo Soma ao recriar duas companhias independentes, cada uma com gestão, governança e acesso ao mercado de capitais próprios. A operação será realizada por meio de uma cisão parcial seguida de troca de participações entre os grupos controladores. Os atuais acionistas da Azzas passarão a deter ações das duas empresas na mesma proporção de suas participações atuais.
Em relatório, o BTG Pactual destaca que a reestruturação, no entanto, não representa um simples retorno ao modelo existente antes da fusão concluída em 2024. O novo desenho envolve uma redistribuição relevante de ativos entre as companhias. A Arezzo&Co ficará com sua tradicional plataforma de calçados e bolsas, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além de incorporar a Hering e suas extensões. Já o Grupo Soma concentrará marcas como Animale, NV, Maria Filó e Cris Barros, além de receber a Reserva, Oficina e Foxton.
O relatório destaca que a troca de ativos é simbólica. A Reserva, adquirida pela Arezzo&Co em 2020, passará a integrar o Grupo Soma. Em movimento oposto, a Hering, comprada pelo Grupo Soma em 2021, será incorporada à Arezzo&Co.
A marca Farm terá uma estrutura própria dentro do novo arranjo. Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula serão reunidas em uma empresa independente, com governança própria. A Arezzo&Co deterá 57,4% dessa operação, enquanto o Grupo Soma ficará com 42,6%. Com isso, a Arezzo assumirá participação majoritária em um dos ativos mais valiosos do portfólio da antiga Soma. As empresas também seguirão avaliando alternativas estratégicas para a Farm Rio.
A reorganização também redefine a influência dos grupos fundadores. Após a conclusão da operação, o bloco liderado por Roberto Jatahy terá 25,95% do Grupo Soma, enquanto o bloco da família Birman controlará 32,13% da Arezzo&Co e manterá uma participação minoritária de 6,18% no Grupo Soma. Para o BTG Pactual, a separação restabelece estruturas de comando mais claras e reduz parte da complexidade de governança surgida após a união dos dois grupos.
Apesar de enxergar benefícios na retomada de estruturas mais independentes e alinhadas às culturas originais de cada negócio, o banco ressalta que os desafios operacionais permanecem relevantes. O ambiente competitivo segue pressionado, a Hering passa por mudanças em seu modelo de franquias, estoques continuam sendo ajustados e diversas marcas ainda revisam suas estratégias comerciais. Nesse cenário, a evolução da rentabilidade e a recuperação do crescimento das vendas continuarão sendo os principais pontos de atenção do mercado.
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