Segmento movimentou R$ 25,3 bilhões em 2024, com crescimento tímido de 6,2%, forte concentração regional e aposta em modelos como home centers e atacarejo
O setor de material de construção no Brasil reúne 13 empresas entre as 300 maiores do varejo, segundo levantamento do IRTT. As vendas somaram R$ 25,3 bilhões em 2024, o equivalente a apenas 2% do total.
Apesar da representatividade modesta, o segmento chama atenção por concentrar operações em grandes lojas de superfície, os chamados home centers, e pela atuação regionalizada: nove das varejistas estão presentes em cinco estados ou menos, enquanto três contam com mais de 100 unidades cada.
O setor também sente diretamente os efeitos dos juros altos, que encarecem o crédito para construção e reformas e limitam a disposição da população para compras. Por isso, o crescimento consolidado das empresas que divulgaram resultados nos últimos dois anos foi de apenas 6,2%, um dos mais baixos do varejo brasileiro.
Após o impulso registrado durante a pandemia, quando a necessidade de adaptar residências ao home office e ao lazer doméstico acelerou reformas e construções, o segmento de material de construção entrou em uma fase de expansão mais contida. Não têm ocorrido grandes fusões ou aquisições, mas novidades pontuais chamam atenção.
É o caso da Obramax, rede do grupo Adeo (controlador da Leroy Merlin), que aposta em um modelo de “atacarejo” focado no público profissional. Com nove lojas entre Rio de Janeiro e São Paulo, a rede já se consolidou como a sexta maior do setor no país, trazendo para o segmento princípios de valorização de preços que se mostraram exitosos no varejo de supermercados.
As maiores empresas de material de construção do Brasil
A Leroy Merlin manteve a liderança absoluta, com R$ 8,97 bilhões em vendas e 54 lojas no país. A média de venda por unidade é uma das mais altas do mercado, refletindo seu modelo de megalojas e forte atuação nas grandes capitais, com portfólio diversificado e aposta em serviços.
Na segunda posição aparece a Ferreira Costa, com R$ 2,4 bilhões em vendas e apenas nove lojas. O destaque da rede está justamente na eficiência por unidade: cada loja movimenta, em média, mais de R$ 266 milhões ao ano. Com forte presença no Nordeste, a empresa pernambucana fundada em 1884 aposta em lojas de grande porte e atendimento regionalizado, mantendo crescimento consistente e lucratividade acima da média.
A Quero-Quero ocupa a terceira colocação, com R$ 2,17 bilhões em vendas e uma rede muito mais pulverizada, com 573 lojas, especialmente em cidades de pequeno e médio porte. O modelo de negócios baseado na capilaridade e no crédito próprio. A combinação de materiais de construção com eletrodomésticos segue sendo a principal vantagem competitiva da empresa no Sul do país.
Com faturamento de R$ 1,88 bilhão e 68 lojas, a Telhanorte, pertencente ao grupo francês Saint-Gobain, ocupa a quarta posição. A empresa tem apostado fortemente em digitalização, logística e soluções integradas, com foco no cliente profissional e também no consumidor final.
Já a Sodimac Brasil, do grupo chileno Falabella, aparece em quinto lugar com R$ 1,75 bilhão em vendas e 52 lojas. Veja, a seguir, o ranking completo:
Leroy Merlin – R$ bi 8,9 – 54 lojas
Ferreira Costa – R$ bi 2,4 – 9 lojas
Quero Quero – R$ bi 2,16 – 573 lojas
(Telhanorte) Saint-Gobain – R$ bi 1,87 – 68 lojas
Sodimac Brasil – R$ bi 1,74 – 52 lojas
Obramax – R$ bi 1,7 – 9 lojas
Portobello Shop – R$ bi 1,53 – 163 lojas
Cassol – R$ bi 1 – 33 lojas
Balaroti – R$ bi 0,97 – 36 lojas
Todimo – R$ bi 0,9 – 33 lojas
Redemac – R$ bi 0,75 – 108 lojas
Joli – R$ bi 0,65 – 22 lojas
Espaço Smart – R$ 0,51 – 40 lojas
____________________________________________
Por Isabela Rovaroto
