Com € 27 bilhões de receita global e 55 anos no país, a operação liderada por Tiago Santos levará à COP30 um case do Brasil para o mundo
“Performance sem sustentabilidade não tem futuro” , diz Tiago Santos, CEO da Danone Brasil, durante o podcast “De frente com CEO” , da EXAME. A afirmação de Santos, que lidera a multinacional no Brasil desde abril de 2024, retoma a filosofia que o executivo leva à COP30, onde a empresa apresentará o Projeto Flora , iniciativa de agricultura regenerativa desenvolvida no país e que já inspira outras operações internacionais da companhia.
O programa, criado há cinco anos, conecta fazendeiros, universidades, órgãos públicos, startups e bancos para demonstrar que sustentabilidade e rentabilidade podem andar juntas. Os resultados já estão aparecendo: redução de 47% das emissões de carbono e 42% de metano na cadeia do leite. “As pessoas trabalham para que os produtores aumentem sua produtividade e margem, vivam melhor e ainda contribuam para o bem-estar animal e o meio ambiente”, diz Santos.
A proposta, segundo o CEO, é mostrar que boas práticas ambientais geram valor econômico — e que um projeto nascido no Brasil pode servir de modelo para o mundo.
Em entrevista à EXAME, direto do escritório da companhia em São Paulo, o executivo fala sobre as expectativas com a COP30, que será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro, no estado do Pará, além da trajetória profissional em 9 países e as ambições da companhia que completa 55 anos no Brasil.
Da farmácia ao mundo: como a ciência segue guiando a Danone
Com faturamento global de € 27 bilhões e presença em mais de 100 países , a Danone mantém um portfólio que vai de iogurtes e lácteos frescos (Danone, Danoninho, Activia, Danette, YoPRO) a nutrição especializada , incluindo fórmulas infantis e soluções médicas.
A companhia nasceu literalmente da ciência — o primeiro iogurte foi vendido em farmácias — e mantém essa base até hoje. Recentemente, inaugurou um novo centro mundial de P&D e um laboratório de microbioma , voltados para inovação e saúde alimentar.
“Nascemos da ciência e continuamos baseados nela. O consumidor, o paciente e o cliente estão no centro de tudo o que fazemos”, diz o CEO.
No Brasil, onde a companhia comemora neste ano 55 anos, a sustentabilidade faz parte da estratégia do negócio. Como uma empresa B certificada , para Santos, o selo é mais do que uma chance: é uma vantagem competitiva e um fator de atração de talentos.
“Diante de duas empresas semelhantes, as pessoas vão escolher aquela que prova que faz algo positivo pelo planeta”, afirma.
Menos açúcar, mais propósito
Santos aposta na combinação de inovação, saúde e sustentabilidade para sustentar o avanço. Sob sua gestão, a Danone vem reduzindo o açúcar nas linhas infantis – com o Danoninho alcançando a meta de menos de 10 gramas por 100 g de produto – e ampliando investimentos locais.
“O desafio é entregar produtos com propósito, sabor e valor percebido. O consumidor paga quando entende que vale a pena”, afirma o CEO da Danone Brasil.
Para o futuro, ele quer manter o ritmo e ampliar o impacto. “Nosso sonho é voltar a colocar a Danone Brasil no papel que essa unidade merece – entre os líderes do grupo global. Sustentabilidade e desempenho andam juntas. Uma sem a outra simplesmente não tem futuro.”
Os desafios e benefícios da carreira global
Natural de Coimbra, Portugal , Santos iniciou uma carreira “por acaso” ao acompanhar um amigo em um processo seletivo da Procter & Gamble . Passou também pela PepsiCo antes de ingressar na Danone, onde está há 17 anos. Desde então, viveu em nove países , incluindo Finlândia, Ucrânia e Cazaquistão — onde aconteceu desde revoluções até guerras civis.
“Aprendi que cada país exige um novo olhar sobre a felicidade e o trabalho”, afirma.
Em comum entre as experiências, ele destaca a importância de entender pessoas e contextos e de manter resiliência e adaptabilidade – virtudes herdadas dos avós imigrantes.
Danone Brasil: entre as 15 maiores operações do mundo
Hoje, no comando da Danone Brasil, o executivo quer reposicionar a participação entre os mais relevantes do grupo.
“O Brasil já está entre os 15 maiores mercados da Danone e cresce há dois anos acima da média global. Nosso papel é seguir acelerando, com impacto positivo para os negócios, para as pessoas e para o planeta”.
Danone no mundo – e no Brasil
Fundada em 1919, em Barcelona , por Isaac Carasso , a Danone nasceu com base científica: seus primeiros iogurtes eram vendidos em farmácias como produtos de saúde digestiva. O nome veio de “Danon” , apelido de seu filho Daniel Carasso , que mais tarde levaria a marca para a França e iniciaria a expansão internacional.
Hoje, a Danone é uma das maiores companhias de alimentos e bebidas do planeta , com foco em saúde, nutrição e sustentabilidade , com presença em mais de 100 países , cerca de 90 mil funcionários e mais de 180 unidades industriais.
No Brasil, a Danone chegou em 1970 e foi responsável por popularizar o iogurte industrializado no país tanto que o nome “Danone” acabou se tornando sinônimo de categoria. A operação brasileira tem duas fábricas , voltadas para lácteos e nutrição especializada , e emprega cerca de 3 mil funcionários diretos .
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Por Layane Serrano
Publicado originalmente em: encurtador.com.br/jrVX
