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Exame: Na Natura, inteligência artificial antecipa riscos do El Niño na operação

Da redação
31 de agosto de 2026
Ferramenta desenvolvida com startup MeteoIA passa a apoiar identificação de possíveis impactos climáticos antes da ocorrência de eventos extremos

Diante da previsão de maior intensidade do fenômeno El Niño e do avanço dos eventos climáticos extremos, a fabricante de cosméticos Natura passou a incorporar ferramentas de inteligência artificial e protocolos preventivos à sua estratégia de adaptação climática.

A companhia, que desde 2020 mantém um protocolo para responder a emergências como enchentes, secas extremas e queimadas, agora busca antecipar possíveis impactos antes que eles ocorram.

O movimento ocorre por meio do Radar de Riscos Sócio-climáticos, ferramenta desenvolvida em parceria com a startup MeteoIA. A plataforma utiliza inteligência artificial para analisar possíveis impactos climáticos e gerar informações para o mapeamento de riscos corporativos e operacionais.

Segundo a companhia, a tecnologia permite fortalecer a preparação para eventos que podem afetar tanto suas operações quanto sua rede de relacionamento, formada por consultoras de beleza, fornecedores e comunidades ligadas às cadeias da sociobiodiversidade.

Criado em 2020, o Protocolo de Calamidades já foi acionado mais de 30 vezes em situações de emergência. Até então, a atuação estava concentrada principalmente em respostas após a ocorrência dos eventos. Com o uso de ferramentas preditivas, a Natura pretende deslocar parte dessa atuação para uma lógica de prevenção.

Monitoramento de cadeias da sociobiodiversidade

A estratégia também envolve o acompanhamento das cadeias de fornecimento de ativos naturais utilizados pela companhia. Para isso, a Natura utiliza a Natura-GIS, plataforma baseada em sistema de informação geográfica que permite rastrear ativos da sociobiodiversidade e acompanhar períodos de safra.

A ferramenta é usada para monitorar possíveis impactos sobre o fornecimento e apoiar decisões relacionadas à segurança das cadeias produtivas.

Além da gestão operacional, a companhia afirma que busca ampliar ações voltadas às pessoas mais expostas aos efeitos dos eventos climáticos.

Seguros e apoio a comunidades

Na frente de justiça climática, termo usado para tratar da distribuição desigual dos impactos das mudanças climáticas entre diferentes grupos sociais, a Natura passou a incentivar suas Consultoras de Beleza a utilizarem seguros disponíveis no ecossistema Emana Pay.

Entre as soluções citadas pela companhia está o seguro Estoque+Casa, voltado à proteção de residências e estoques de produtos em casos de incêndios ou enchentes, e o Saúde Protegida, que oferece serviços de telemedicina e descontos em medicamentos.

Para as comunidades fornecedoras, a empresa afirma que realiza um mapeamento de doações financeiras preventivas para apoiar a compra antecipada de mantimentos e água potável em regiões sujeitas a períodos de seca severa.

“A Natura tem um compromisso socioambiental histórico e a evolução de mitigação para antecipação de riscos climáticos reforça nossa crença de que um negócio só é resiliente se a sua rede de pessoas e o território onde ele opera também forem”, afirma Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura.

Parcerias para resposta local

Outra frente da estratégia envolve colaborações com instituições públicas e comunidades. Em abril, a companhia anunciou uma parceria com a Defesa Civil de São Paulo para estruturar Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs), grupos comunitários voltados à prevenção e resposta a riscos.

A proposta é capacitar Consultoras de Beleza para atuarem como agentes voluntárias em seus bairros, apoiando ações de preparação para situações de emergência.

A Natura também afirma atuar com o Corpo de Bombeiros na formação de brigadistas voluntários em comunidades agroextrativistas da região Norte.

Apesar do avanço de ferramentas de previsão e protocolos de preparação, a companhia reconhece limitações diante da escala dos eventos climáticos.

“Embora a inteligência preditiva e as parcerias estratégicas fortaleçam nossa preparação, a natureza sem precedentes das mudanças climáticas impõe incertezas que ultrapassam a capacidade de previsão absoluta”, afirma Ana Costa.

A empresa defende que a adaptação climática depende de ações conjuntas entre empresas, governos e sociedade civil, em um cenário no qual eventos extremos passam a exigir novas formas de planejamento e resposta.


Por Letícia Ozório

Publicação original

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