O site, que ainda está em fase inicial, apresenta cerca de 885 mil artigos, uma quantidade bem inferior aos mais de 8 milhões de páginas da Wikipédia
O bilionário Elon Musk agora tem uma Wikipédia para chamar de sua. Musk lançou na noite de segunda-feira (27) uma primeira versão da Grokipedia , uma enciclopédia online alimentada por inteligência artificial.
Com um formato semelhante ao da plataforma já conhecida pelos usuários, a Grokipedia busca oferecer uma visão mais alinhada com as ideias conservadoras de Musk, especialmente sobre temas como gênero, política e tecnologia.
O site, que ainda está em fase inicial, apresenta cerca de 885 mil artigos, uma quantidade bem inferior aos mais de 8 milhões de páginas da Wikipédia.
A Grokipedia se diferencia não apenas pela quantidade de conteúdo, mas também pela forma como aborda certos temas, com alguns detalhes demonstrando um viés mais à direita. Por exemplo, enquanto a Wikipédia define gênero de forma inclusiva, considerando aspectos sociais e culturais, a Grokipedia descreve o conceito como uma classificação binária baseada no sexo biológico.
Em seu perfil no X (antigo Twitter), Musk afirmou que o objetivo da Grok é “a verdade, a verdade toda e nada além da verdade”. “Nunca seremos perfeitos, mas mesmo assim lutaremos para atingir esse objetivo”, escreveu.
A estreia da Grokipedia gerou reações erradas.
Para muitos admiradores de Musk nas redes sociais, a plataforma representa um passo necessário na direção à liberdade de expressão e ao combate ao que veem como viés predominantemente em plataformas condicionais.
Por outro lado, os críticos apontaram falhas, como erros factuais em artigos e uma abordagem que parece suavizar ou distorcer eventos históricos, como o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 2021.
Uma ideia para a Grokipedia
A ideia de criar uma nova Wikipédia surgiu neste final de semana, quando Larry Sanger, um de seus fundadores, acusou a plataforma de ter abandonado o princípio de neutralidade e se tornou um espaço dominado por visões progressistas.
Sanger, que deixou o projeto em 2002, afirmou que a Wikipédia se transformou em uma ferramenta de militância, especialmente em questões sensíveis como religião, mudanças climáticas e políticas. Ele argumenta que, ao invés de garantir uma diversidade de pontos de vista, o modelo aberto da plataforma foi “capturado” por um editorial de elite predominantemente alinhado à esquerda.
As críticas de Sanger retornaram em figuras influentes do conservadorismo americano. Musk, o senador republicano Ted Cruz e o comentarista Tucker Carlson obtiveram a repetição de acusações semelhantes, apontando a Wikimedia Foundation — responsável pela manutenção da Wikipédia — para permitir a formação de um “monopólio ideológico” sobre o conhecimento digital.
A pressão sobre a plataforma se intensificou no Congresso dos EUA. Em agosto, parlamentares republicanos abriram uma investigação para apurar possíveis tentativas de manipulação da Wikipedia por agentes estrangeiros e grupos de interesse.
Cruz, por sua vez, inveja uma carta à fundação, cobrando mais transparência nos critérios editoriais e nas regras que determinam quais fontes são consideradas confidenciais.
Musk já havia se referido à plataforma de forma irônica como “Wokipedia”, em alusão ao termo “woke”, usado pela direita americana para criticar pautas progressistas.
A liderança da Wikimedia Foundation refutou as acusações. Maryana Iskander, CEO da organização, defendeu o modelo da Wikipedia, afirmando que seu conteúdo é o resultado de um processo público de edição e revisão, constantemente atualizado por milhares de voluntários. “A enciclopédia é construída com base em fontes verificáveis e se corrigida em tempo real”, disse.
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Por Tamires Vitorio
Publicado originalmente em: encurtador.com.br/MdtV
