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Exame: favelas terão empresa logística

Luciano Luft, da Luft Logistics, e Celso Athayde, da Favela Holding, criam joint-venture para atender 5 mil comunidades. Negócio surgiu na pandemia

A pandemia gerou uma onda de solidariedade que multiplicou as doações no Brasil. Em dinheiro, o valor ultrapassou os R$ 6 bilhões só em 2020, mais do que o dobro da média anual. Toda essa generosidade, no entanto, gerou um gargalo logístico. Com tudo parado, como fazer para que a comida e os produtos doados chegassem a quem precisava?

O problema principal estava na chamada última milha, o pedacinho do caminho que vai do centro de distribuição até o consumidor. Nas favelas, por exemplo, há dificuldades intrínsecas, como a falta de um padrão de numeração das casas, ou mesmo a inexistência de um endereço — atualmente, existem 17 milhões de brasileiros sem um endereço formal. Só se localiza quem conhece a lógica do local.

Desse desafio surgiu uma parceria que, hoje, se transforma em um negócio. A Favela Log, empresa logística focada em favelas, e a Luft, uma das maiores operadoras logísticas do país, anunciam nesta quinta-feira, 12, a criação de uma joint venture que buscará atender as mais de 5 mil comunidades existentes no Brasil. Serão investidos R$ 7 milhões na companhia, que se chamará Favela LLog, com um “L” a mais de Luft.

“No início da pandemia, criamos uma união perfeita”, afirma Luciano Luft, presidente da Luft. “A Luft ganhava as estradas e o time da Favela Log respondia pela última milha. Me impressionou muito o trabalho deles em comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e favelas desse Brasil”. Esse trabalho também contou com a participação da Central Única de Favelas (Cufa), organização social presente em quase todas as favelas do país.

Favela LLog vai gerar empregos para egressos do sistema prisional

Para Celso Athayde (imagem), fundador e CEO da Favela Holding, grupo de empresas criadas em favelas do qual a Favela Log faz parte, a parceria com a Luft também se mostrou efetiva na crise humanitária provocada pelas fortes chuvas do final do ano passado e começo deste ano. As duas empresas distribuíram R$ 800 milhões em produtos nos locais atingidos. “Usamos toda a nossa expertise na última milha e contamos com a logística de longas distâncias da Luft. O resultado foi o que o Brasil testemunhou nos diversos programas de distribuição de alimentos”, diz Athayde.

O empresário criou a Favela Log em 2014, a partir de um acordo com a P&G. A empresa passou a atender outras grandes companhias, como a Natura, que já distribuiu em favelas mais de 3,5 milhões de produtos. “Trabalhamos com a Favela Log no Rio de Janeiro desde novembro de 2016. Hoje, estamos em 112 favelas com nível de efetividade de 98,5%, em vendas diretas e comércio eletrônico”, afirma Raphael Duarte, coordenador regional de logística da Natura.

A entrada da Natura no mercado de favelas se deu, com a Favela Log, por meio do Projeto Recomeço, da Cufa, que promove a contratação de egressos do sistema prisional. Esse também é um foco da nova joint-venture. “Esse trabalho social vai além da oportunidade no mercado. Estamos proporcionando o recomeço da vida profissional de uma mãe e pai de família, isso é muito gratificante para nós que estamos acompanhando de perto a vontade de cada um deles nessa nova fase”, afirma Kalyne Lima, copresidente da Cufa.

“Estive no sistema prisional por 10 anos, e fico feliz em contribuir com esse projeto para egressos que possam ter uma oportunidade em suas vidas”, reforça Marcivan Barreto, coordenador do Projeto Recomeço.

Favela Log funcionários

Última milha: a Favela Log contrata egressos do sistema prisional por meio do Projeto Recomeço, da Cufa (Favela Log/Divulgação)

Operação nacional e o mesmo nível de serviço nas favelas e nos bairros nobres

A expansão da Favela LLog ser dará a partir de uma nova sede, na Favela de Paraisópolis, em São Paulo. A meta é chegar às mais de 5 mil favelas onde a Cufa está presente. Para isso, o plano é de digitalizar a operação e atuar com informações em tempo real.

O mercado das favelas, que movimenta cerca de R$ 140 bilhões. Segundo dados do Instituto Locomotiva, vem chamando atenção de grandes empresas. Na semana passada, a Americanas, o Google e a startup de logística Favela Brasil Xpress, em parceria com o G10 Favelas, anunciaram uma parceria para disponibilizar endereços digitais aos moradores de Paraisópolis.

Na primeira etapa do projeto foram mapeados endereços de 4 mil famílias próximos ao pavilhão do G10 Favelas. Na segunda etapa, no próximo semestre, serão levadas em consideração as famílias com compras recorrentes em e-commerces, ampliando o total para 30 mil casas, até se alcançar toda a comunidade, hoje com 100 mil habitantes.

Essas famílias passam a ter seus códigos fixados na porta — assim como as placas de números residenciais — e podem usar o código para serem encontradas no Google Maps. Os endereços são gerados a partir do Plus Codes, uma tecnologia aberta e gratuita desenvolvida em 2014 por engenheiros do Google na Calfórnia, Estados Unidos. A função pode ser utilizada também para outros serviços como ambulâncias e carros de aplicativo.

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Por Rodrigo Caetano

Publicado originalmente em: https://cutt.ly/kHpPksx

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