PATROCINADORES

Exame: Copa mostrou avanço de Polymarket e Kalshi sobre casas de apostas esportivas

Da redação
20 de julho de 2026
Plataformas ganharam usuários, volume e apoio regulatório, e pressionam DraftKings e FanDuel

A Copa do Mundo de 2026 mostrou que as casas de apostas tradicionais passaram a enfrentar os mercados de previsão como um forte concorrente de crescimento rápido. Estimativa da H2 Gambling Capital mostra que plataformas como Kalshi e Polymarket responderam por cerca de 27% de todo o volume legal de apostas esportivas nos Estados Unidos durante o torneio, ante 9% no início do ano.

A mudança não apareceu apenas no dinheiro movimentado. Durante a Copa, a Kalshi registrou mais usuários diários em seu aplicativo do que os dois maiores apps de apostas esportivas dos EUA, o DraftKings e o FanDuel, de acordo com dados da consultoria Apptopia divulgados pela Bloomberg.

A empresa também bateu recordes de negociação ao longo do torneio, chegando a dobrar o pico registrado apenas uma semana antes da Copa, impulsionado pela campanha do time de basquete New York Knicks na NBA. Em alguns momentos, o ritmo de negociações foi quase dez vezes superior ao observado no início do ano.

Reação das ações e resposta das gigantes

O avanço dos mercados de previsão também repercutiu na bolsa, ainda que de forma contraditória. As ações da DraftKings e da Flutter Entertainment, controladora da FanDuel, avançaram antes do início da Copa, refletindo a expectativa de um aumento nas apostas durante o torneio.

Ao longo da competição, porém, perderam força e ambas acumulam queda superior a 25% no ano.

Um porta-voz da FanDuel afirmou à Bloomberg que a empresa não poderia discutir tendências do setor por estar próxima da divulgação de resultados financeiros, mas destacou que “a Copa do Mundo gerou um interesse recorde entre nossos clientes ao longo da competição, com os dez jogos de futebol de maior volume de apostas em nossa história ocorrendo durante o torneio deste ano.”

As próprias casas de apostas também já reconheceram o avanço dos mercados de previsão e começaram a lançar produtos semelhantes. Até agora, porém, o aplicativo independente da FanDuel para esse segmento ainda teve baixa adesão, segundo a Apptopia.

Analistas avaliam que, no longo prazo, as gigantes do setor podem recuperar terreno graças à sua base consolidada de clientes e aos canais de distribuição mais amplos.

Uma vantagem regulatória decisiva

Parte dessa vantagem competitiva veio de Washington, já que, há menos de dois anos, mercados de previsão sequer podiam oferecer contratos ligados a eventos esportivos. Em 2025, executivos do setor de apostas ainda tratavam essas plataformas como iniciativas “marginais”, que não sobreviveriam às incertezas regulatórias.

O cenário mudou quando a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), reguladora federal considerada mais favorável a esse tipo de produto, permitiu que Kalshi e Polymarket lançassem contratos esportivos e prevalecessem na Justiça contra tentativas de reguladores estaduais de barrar suas operações, conforme a agência.

A brecha regulatória também ampliou o alcance dessas plataformas. Diferentemente das casas de apostas tradicionais, elas podem atender clientes em estados onde as apostas esportivas continuam proibidas e aceitar usuários a partir dos 18 anos. Nas casas de apostas, em geral, a idade mínima é de 21 anos.

Publicidade agressiva nas plataformas

A Kalshi e a Polymarket também intensificaram os investimentos em publicidade e se tornaram presença constante na cobertura do torneio. A Kalshi garantiu, de última hora, um acordo para exibir sua marca nos painéis de LED ao redor do gramado durante todas as partidas da fase final.

Apesar das duas buscarem se diferenciar no mercado, a Copa evidenciou, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, o quanto elas passaram a desenvolver produtos cada vez mais parecidos com apostas esportivas convencionais.

Um exemplo são os chamados combos, a versão dos mercados de previsão para as apostas múltiplas. Assim como nas casas de apostas, esses contratos combinam diversos resultados em uma única operação, oferecendo retornos potencialmente mais altos em troca de uma probabilidade menor de acerto.

Ameaça real, mas limitada, dizem analistas

Nem todos, porém, enxergam essa ascensão como uma ameaça existencial às casas de apostas. O diretor-geral da H2 Gambling Capital, Ed Birkin, avalia que os mercados de previsão atraem um perfil de usuário diferente e potencialmente menos rentável do que o das casas de apostas tradicionais.

“Está bem claro que os mercados de previsão tiveram uma Copa do Mundo muito boa”, disse à agência. “Acho que eles representam uma ameaça menor do que algumas pessoas sugerem, mas certamente estão avançando aos poucos, e esses clientes permitirão que continuem expandindo seus negócios.”

Já o analista do banco Bernstein, Ian Moore, tem uma leitura mais desafiadora para o setor. Para ele, o crescimento dessas plataformas aumentou a pressão para que as casas de apostas passem a oferecer produtos semelhantes, classificando o momento como “uma nova oportunidade para todos”.


Por Ana Luiza Serrão

Publicação original

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve