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Exame: Carro voador da Eve, da Embraer, entra em nova fase com parceria pela eletrificação

Da redação
17 de julho de 2026
Acordo com a Hitachi Energy vai levar infraestrutura elétrica e carregamento rápido às aeronaves 100% elétricas: “Não existe solução sozinha que resolva os gargalos”, diz presidente da empresa

Imagine sair do centro de São Paulo e chegar a Faria Lima em poucos minutos ou cruzar Manhattan em Nova York até o Brooklyn sem enfrentar um único engarrafamento.

Essa é a promessa por trás dos eVTOLs, ou os popularmente conhecidos como “carros voadores”, aeronaves 100% elétricas de decolagem e pouso vertical pensadas não para substituir aviões ou helicópteros, mas para funcionar como um táxi aéreo: viagens curtas, dentro dos centros urbanos e voltadas para evitar horas paradas no trânsito.

Não é coincidência que São Paulo e Nova York estejam no centro dessa conversa. As duas cidades concentram um dos maiores desafios de mobilidade do mundo.

Segundo estimativas do setor, a capital paulista sozinha pode chegar a ter mais de 300 eVTOLs voando em poucos anos, “sinal do apetite” por esse tipo de solução que além de tudo é sustentável.

Mas para que esse futuro saia do papel, não basta construir a aeronave: é preciso eletrificar. Foi para resolver esse gargalo que a Eve, controlada pela Embraer, fechou uma parceria com a Hitachi Energy, empresa global de tecnologia em eletrificação.

O acordo, um memorando de entendimento assinado simultaneamente no Brasil e nos EUA, vai equipar os vertiportos da Eve com carregamento rápido para as aeronaves e garantir a conexão dessa infraestrutura à rede elétrica.

Para Glauco de Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil, o desafio não é nada trivial: a rede nacional é quase 99% conectada e interligada, mas ainda “não preparada para o tipo de demanda concentrada que os eVTOLs vão exigir”.

A solução não se resume a um carregador. A tecnologia batizada de “grid to plug” conecta da rede à tomada e cobre toda a cadeia entre a geração de energia e a aeronave, passando pelo gerenciamento de potência, até o carregamento rápido.

Segundo o executivo, o consumo de energia de um eVTOL não é o problema, visto que ele é relativamente pequeno e comparável a outros veículos elétricos. A questão está na escala e na frequência, uma demanda que hoje ainda não existe no Brasil.

“Vamos criar uma indústria nova do zero”, destacou.

Luiz Mauad, vice-presidente de serviços e operações de frota da Eve, resume a complexidade do desafio: segundo ele, viabilizar operações seguras e escaláveis de eVTOL vai muito além de instalar carregadores e envolve planejar a disponibilidade de energia, os ciclos de recarga e a integração com a rede junto a clientes, operadores e reguladores.

Do lado da Hitachi Energy, a aposta é que o modelo nascido no Brasil sirva de referência para o resto do mundo, o que explica por que o acordo foi assinado ao mesmo tempo nas duas cidades apontadas como primeiro “terreno de teste” dessa nova era da mobilidade sustentável.

“Não existe solução sozinha que resolva os gargalos, precisamos nos unir”, diz o presidente.

Por dentro do carro voador zero emissão

A aeronave da Eve é 100% elétrica, pesa cerca de 3 toneladas e tem 8 motores. Ainda tem piloto a bordo, mas se diferencia tanto de um helicóptero quanto de um avião convencional: além de não emitir gases poluentes, produz bem menos ruído.

“É uma vantagem pensada especificamente para operar dentro de centros urbanos, decolando e pousando em aeroportos, topos de prédios e novas áreas construídas para esse fim, os vertiportos”, frisou o VP da Eve.

O protótipo em escala real, com seis aeronaves, fez seu primeiro voo em dezembro de 2026. De lá para cá, já são 50 voos de teste e mais de duas horas de voo acumuladas.

Agora, o próximo passo é um teste de voo de frente. A certificação está prevista para 2028, com entregas logo em seguida.

A aposta é ambiciosa: a empresa projeta que a frota mundial de eVTOLs pode chegar a 30 mil unidades até 2045, transportando mais de 3 bilhões de passageiros no período.

A resiliência da rede elétrica é um dos focos centrais da Hitachi Energy para além da parceria com a Eve e também passa pela urgência da adaptação climática.

Com a expansão de fontes renováveis intermitentes na matriz elétrica, como solar e eólica, a rede precisa de mais flexibilidade para lidar com variações de geração ao longo do dia. Um dos caminhos discutidos no setor é o uso de leilões de baterias como forma de reforçar o armazenamento de energia.

No Brasil, a expectativa é que o primeiro aconteça em dezembro deste ano, após uma série de atrasos. Para a Hitachi, o mecanismo pode ajudar a estabilizar a rede diante dessa intermitência, a tornando ainda mais preparada tanto para picos de consumo quanto para eventos climáticos extremos.


Por Sofia Schuck

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