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Exame: A mão pesada dos EUA sobre a Suzano

Da redação
11 de julho de 2025
A ameaça de tarifas e uma acusação de dumping ameaçam a exportadora brasileira de celulose e papel, que tem 19% de suas vendas nos Estados Unidos

Com a maior exposição aos Estados Unidos, a Suzano tem sido considerada a empresa do setor de commodities que pode ser mais afetada pelo tarifaço do Donald Trump. Os analistas do Goldman Sachs chamam a atenção para os contratos de longo prazo que a companhia exportadora de celulose tem com grandes compradores na região.

Para o Goldman, as vendas direcionadas aos Estados Unidos são grandes demais para ser facilmente redirecionadas a outras regiões (cerca de 19% do total), o que exigiria um esforço comercial e logístico significativo, além de uma possível pressão de preços no processo.

O consumo de celulose de fibra curta na América do Norte alcançou 3,7 milhões de toneladas em 2024 e é amplamente suprido por importações — a Suzano domina 55% do mercado. Os analistas do Bradesco BBI indicam que a tarifa de 50% pode ajudar a concorrência. “Esse movimento pode beneficiar a produção de celulose chilena”, avaliam os especialistas. O Uruguai é outro mercado alternativo, com compradores buscando regiões com tarifas mais baixas.

O BBI também vê complicações logísticas, no curto prazo, para a Suzano redirecionar suas vendas. A participação dos EUA nas receitas da companhia é significativa, com 17% do total, sendo 19% provenientes de celulose e 9% de papel, conforme destacado no relatório de Rafael Barcellos, analista do BBI.

Klabin se destaca

Diante dessa situação, o Bradesco BBI reforçou sua preferência pela Klabin, que tem uma exposição bem menor aos EUA, com apenas 2% de sua receita proveniente do mercado americano.

Os analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) também comparam a Suzano com seus pares, e trabalham com percentuais parecidos. Enquanto a Klabin tem menos de 5% da receita dos Estados Unidos, a Suzano tem 19% da receita vem da América do Norte (celulose + papel), grande parte dos Estados Unidos.

Eles observam que a demanda global ainda está fraca. Porém, os preços atuais de US$ 500 por tonelada parecem próximos de um piso, limitando quedas adicionais.

Acusada de dumping

Além do aumento das tarifas, há um complicador: a Suzano é acusada de dumping pelo Departamento de Comércio dos EUA. O órgão investiga a venda de papéis não revestidos da companhia entre março de 2023 e fevereiro de 2024 com preços 14,4% abaixo do valor normal.

Embora o caso não envolva o principal produto da empresa, a celulose de fibra curta (BHKP), os analistas da Genial Investimentos alertam para os ruídos regulatórios e o risco de aplicação de tarifas compensatórias caso a acusação seja confirmada.

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Por Juliana Alves

Publicado originalmente em: https://encurtador.com.br/DyDjR

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