Levantamento aponta motivações, setores mais comuns e barreiras enfrentadas por quem busca abrir negócios fora do país
Quase 5 milhões de brasileiros vivem atualmente no exterior — 4.996.951 pessoas, segundo estimativa do Ministério das Relações Exteriores de 2023. Desse total, cerca de 45% estão nos Estados Unidos, 34% na Europa e 13% na América do Sul, enquanto a presença na África ainda é inferior a 1%. Parte significativa desse contingente tem buscado empreender fora do país, impulsionada pela procura por melhores condições de vida, segurança e estabilidade política.
Estudo conduzido por pesquisadores da Unigranrio e da Universidade Federal Fluminense (UFF), com apoio da Faperj, traçou o perfil desses empreendedores ao longo de uma década, com mais de 400 entrevistas. Segundo o pesquisador Roberto Falcão, brasileiros que migram tendem a apresentar maior autonomia, facilidade com idiomas, capacidade de adaptação e disposição para enfrentar desafios — características que favorecem a iniciativa empresarial.
Entre os setores mais escolhidos estão gastronomia, estética e construção civil, além de atividades ligadas à cultura brasileira. Produtos como açaí, pão de queijo e churrasco, bem como serviços típicos, encontram espaço tanto entre a comunidade brasileira quanto junto ao público local. A presença da capoeira em cerca de 180 países também ilustra esse potencial ligado ao chamado “nicho étnico”.
O financiamento dos negócios, porém, costuma depender majoritariamente de recursos próprios ou crédito obtido após a integração ao sistema financeiro local. Questões burocráticas, reconhecimento de diplomas e adaptação às legislações nacionais aparecem entre os principais obstáculos. Especialistas destacam que dominar o idioma, compreender hábitos de consumo e conhecer regras regulatórias são passos essenciais para reduzir riscos.
Além das barreiras institucionais, o estudo aponta desafios ligados à gestão, marketing e posicionamento competitivo. Apesar disso, a versatilidade, habilidade em comunicação e forte presença nas redes sociais são vistas como vantagens competitivas dos brasileiros. Por outro lado, a pesquisa também identificou episódios de concorrência predatória entre empreendedores da própria comunidade.
Na Europa, Portugal concentra a maior comunidade brasileira, estimada em cerca de 500 mil pessoas. Na França, onde vivem entre 120 mil e 130 mil brasileiros, as mulheres representam aproximadamente 75% dos imigrantes, a maioria na faixa dos 30 anos e com nível educacional elevado — quase metade possui graduação e cerca de um terço tem pós-graduação.
Especialistas ressaltam que o sucesso do empreendedor no exterior vai além da rentabilidade financeira. Produtividade, qualidade de vida e satisfação pessoal formam um tripé considerado fundamental para a sustentabilidade da carreira internacional.

