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Eletrobras vende participação na Eletronuclear para a J&F por R$ 535 mi

Da redação
15 de outubro de 2025
Negócio inclui assunção de garantias e debêntures de R$ 2,4 bilhões; elétrica avança na estratégia de desinvestimento e foco em energia limpa

A Eletrobras anunciou nesta quarta-feira (15) a venda de sua participação na Eletronuclear para a J&F Investimentos, holding controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. O contrato, formalizado por meio de fato relevante, marca mais um passo no processo de reestruturação do portfólio da elétrica, que busca concentrar suas operações em fontes 100% renováveis.

O acordo prevê o pagamento de R$ 535 milhões pela fatia societária e a assunção, pela J&F, das garantias anteriormente prestadas pela Eletrobras em favor da Eletronuclear. O grupo também ficará responsável pela integralização das “Debêntures ADI”, no valor de R$ 2,4 bilhões, além de eventuais ajustes junto a credores e parceiros da estatal nuclear.

Segundo a Eletrobras, as condições do negócio “permitirão a plena liberação da companhia das responsabilidades remanescentes com sua coligada, melhorando o perfil de risco e liberando capital alocável”.

Venda encerra ciclo de participação nuclear

A Eletronuclear é responsável pela operação das usinas de Angra 1 e 2 e pela construção da Angra 3, projeto que acumula atrasos e custos elevados. A Eletrobras buscava se desfazer de sua participação desde 2023, em um processo conduzido pelo BTG Pactual em ambiente competitivo.

Considerando o valor contábil de R$ 7,8 bilhões do investimento no segundo trimestre de 2025, a companhia registrou provisão de cerca de R$ 7 bilhões no resultado do terceiro trimestre, refletindo o impacto contábil da transação.

Portfólio 100% renovável

A venda da Eletronuclear ocorre na mesma semana em que a Eletrobras concluiu a venda da UTE Santa Cruz para a Âmbar Energia, subsidiária do grupo J&F, por R$ 703,5 milhões. A usina era a última de um pacote de 13 termelétricas negociadas em 2024.

Com isso, a Eletrobras encerra o ciclo de desinvestimentos em ativos térmicos e passa a concentrar seu portfólio em fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas e solares — um passo alinhado à sua meta de neutralidade de carbono até 2030 (Net Zero 2030).

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