PATROCINADORES

Do panfleto ao post: o que mudou e o que nunca deveria ter mudado na publicidade

Lorena Scavone Giron
25 de outubro de 2025
Mesmo com novas mídias, especialistas defendem que o valor da comunicação ainda depende de reputação, propósito e consistência

Houve um tempo em que a publicidade literalmente cruzava os céus. Aviões lançavam panfletos coloridos sobre praias e avenidas, enquanto promotores distribuíam folhetos nas calçadas. O objetivo era simples: ser visto.

Com o passar dos anos, o papel deu lugar às telas e as vitrines se transformaram em feeds. A propaganda migrou para o ambiente digital, e a disputa pela atenção passou a acontecer em poucos segundos, nas redes sociais. Apesar das novas linguagens e formatos, a essência continua a mesma: conquistar o olhar do público. O que realmente mudou foi a forma de medir o valor da comunicação.

Para a jornalista Carolina Lara, fundadora da Lara Visibilidade Estratégica, o verdadeiro desafio das marcas é preservar o sentido original de comunicar. “A publicidade muda de formato, mas a essência permanece. A confiança ainda é o que sustenta qualquer marca”, afirma. Ela acredita que o erro mais comum das empresas está em confundir visibilidade com credibilidade. “Nem todo mundo que aparece é lembrado, e nem todo mundo que é lembrado é respeitado. A diferença está em como a mensagem é construída.”

Carolina defende que publicidade e assessoria de imprensa não competem entre si, mas se completam. Enquanto o marketing cria presença imediata, o trabalho editorial constrói permanência e autoridade. “A imprensa é o espaço onde a empresa ganha voz por meio da credibilidade. É um reconhecimento que não depende de investimento direto, mas de relevância real”, explica.

O paralelo entre os antigos panfletos jogados de aviões e os posts patrocinados nas redes sociais mostra que o desafio essencial permanece. Ambos produzem impacto rápido, mas de curta duração. Quando o orçamento acaba, o efeito desaparece. “Uma reportagem publicada em um grande veículo continua sendo referência anos depois. É visibilidade com memória”, avalia Carolina.

A jornalista observa que, na pressa de acompanhar tendências, muitas empresas reduziram a comunicação a métricas de alcance e curtidas. “A tecnologia trouxe agilidade, mas também impaciência. Há uma cobrança constante por aparecer, quando o verdadeiro objetivo deveria ser permanecer. A reputação é o que resiste quando a campanha termina.”

Para ela, há algo de valioso na lembrança dos tempos dos panfletos e anúncios impressos. “Antes, cada ação de comunicação exigia mais tempo, planejamento e significado. Hoje, a facilidade de publicar faz com que muitos esqueçam o porquê da mensagem. É preciso retomar a intenção de dialogar, e não apenas divulgar.”

Carolina acredita que o futuro da comunicação está na união entre estratégia e propósito. “A publicidade convida. A imprensa confirma. Quando essas duas vertentes se encontram, nasce a influência verdadeira, aquela que não depende de modas ou algoritmos.”

Segundo a jornalista, mesmo com todas as transformações do mercado, a boa comunicação continua sendo construída com consistência e verdade. “A atenção pode ser comprada, mas a credibilidade é conquistada. É isso que diferencia quem apenas aparece de quem permanece.”

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve