Mudanças regulatórias impulsionam operações comerciais com drones nos Estados Unidos, enquanto empresas brasileiras testam modelos híbridos para vencer barreiras logísticas
Para quem usa serviços de delivery com frequência, a experiência de receber um pedido começa a mudar. Nos Estados Unidos, grandes varejistas aceleram a adoção de entregas por drones. No Brasil, as chamadas “aeroentregas” deixaram de ser promessa e começam a operar em projetos-piloto, adaptados às condições locais.
O avanço nos Estados Unidos foi impulsionado por alterações nas normas da Federal Aviation Administration (FAA). Antes, os drones comerciais só podiam voar dentro do campo de visão do operador. A nova regulamentação passou a permitir voos além desse limite, abrindo espaço para operações em escala maior.
Walmart aposta em rede aérea de entregas

Com esse novo cenário, o Walmart acelerou sua parceria com a Wing, controlada pela Alphabet. A meta é expandir o serviço para mais de 150 lojas em 2026 e chegar a 270 unidades até 2027.
Os pedidos são feitos pelo aplicativo da Wing, com planos de integração ao app do Walmart. Nas lojas, funcionários separam os produtos, que são embalados em caixas leves e transportadas por drones autônomos, monitorados remotamente.
Entregas sem pouso e em menos de meia hora
As aeronaves não pousam no destino final. As encomendas são baixadas por cabos diretamente em quintais ou áreas designadas nas residências. Segundo o Walmart, a maioria das entregas ocorre em até 30 minutos e, por enquanto, o serviço é gratuito para assinantes do Walmart+.
A Wing afirma que 25% de seus principais clientes fazem pedidos três vezes por semana e que o volume de entregas triplicou nos últimos seis meses. Os drones mais recentes suportam cargas de até 2,3 quilos e percorrem até 19 quilômetros por voo.
Brasil avança com modelos híbridos

No Brasil, a adoção segue um caminho diferente. Desde outubro de 2025, o iFood opera entregas por drones em Aracaju, conectando a capital sergipana ao município de Barra dos Coqueiros.
O sistema utiliza dois “droneportos” e funciona de forma integrada. O drone faz o trecho mais longo e crítico do trajeto, enquanto um entregador realiza a etapa final até a residência do cliente. O modelo reduziu um percurso terrestre que podia levar cerca de 40 minutos para um voo de aproximadamente cinco minutos.
Bahia vira polo de entregas aéreas

Em Salvador, o uso de drones já integra operações logísticas regulares. Empresas locais adotaram a tecnologia para agilizar entregas em áreas de difícil acesso, sobrevoando a Baía de Todos-os-Santos. As aeronaves transportam cargas de até 10 quilos e percorrem rotas como Bahia Marina e Stella Maris.
Uma das empresas que utilizam o modelo é a Neodent, que iniciou a operação em janeiro e se tornou a primeira do setor odontológico no país a adotar esse tipo de logística. As mercadorias são acopladas aos drones em caixas específicas, monitoradas em tempo real até o ponto de pouso, onde um motoboy finaliza a entrega.
Infraestrutura e política pública
As rotas em Salvador foram desenvolvidas pela Speedbird Aero, empresa pioneira na operação de sistemas aéreos não tripulados no país. A capital baiana conta com o modelo DLV-2, capaz de voar até 23 quilômetros além da linha de visão do piloto, com certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Em fevereiro, a cidade homologou a Política Municipal de Fomento ao Uso de Aeronaves Não Tripuladas, a primeira do país voltada especificamente ao uso comercial de drones. Salvador possui hoje 10 pontos regulamentados de pouso e decolagem e a maior rota urbana homologada para voos BVLOS no Brasil, com cerca de 40 quilômetros de extensão.
Amazon testa tecnologia no Reino Unido

A Amazon também avança no setor. A empresa iniciou testes do serviço Prime Air no Reino Unido, utilizando o drone MK30, equipado com sensores e sistemas de aprendizado de máquina capazes de identificar pessoas, animais e obstáculos em tempo real.
A proposta é realizar entregas de pacotes de até 2,3 quilos em menos de duas horas, com foco em segurança operacional e redução de ruído.
;impactos na logística e no trabalho
Empresas defendem que o uso de drones reduz custos, tempo de entrega e emissões de carbono ao substituir parte do transporte terrestre. No curto prazo, porém, o modelo brasileiro aponta para a convivência entre tecnologia e trabalho humano, e não para a substituição direta dos entregadores.
O céu, ao que tudo indica, passou a fazer parte definitiva da rota do delivery.
