Segundo o Valor Econômico, companhia iniciou contatos informais com potenciais compradores e avalia desinvestimento total do braço siderúrgico para reduzir dívidas e reorientar estratégia
A CSN começou a sondar potenciais compradores para um possível desinvestimento em seu negócio de siderurgia, incluindo a venda de até 100% da operação, segundo informações do Valor Econômico. De acordo com o jornal, a companhia fez contatos informais com concorrentes para medir o interesse do mercado, e a contratação de uma assessoria financeira deve ocorrer em breve.
A movimentação ocorre após a empresa anunciar neste mês um plano de revisão estratégica de ativos, com objetivo de reduzir a dívida e reforçar a estrutura financeira do grupo. Conforme decisão do conselho de administração, a CSN pretende cortar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões do endividamento ainda em 2026.
A proposta, segundo o plano divulgado, é aliviar a alavancagem e permitir que a companhia direcione esforços para áreas consideradas mais rentáveis e com maior potencial de crescimento.
Outras frentes de venda: cimentos e infraestrutura
Além da siderurgia, a CSN também avança em outras frentes de desinvestimento. No segmento de cimentos, a empresa conta com assessoria do Morgan Stanley e estuda a venda do controle do negócio.
Já na área de infraestrutura, a companhia avalia a venda de uma fatia entre 20% e 30% da operação, com entrada de um novo sócio. Nesse processo, a assessoria fica com Bradesco e Citibank. Ainda segundo o Valor, a expectativa é assinar acordos de venda no terceiro trimestre de 2026, e as conversas já estariam em andamento.
Com a desalavancagem, a CSN projeta ganhar espaço para acelerar ativos mais estratégicos e, no médio prazo, atingir uma estrutura considerada sustentável, com meta de reduzir a relação dívida líquida/ebitda para cerca de 1 vez, além de buscar a possibilidade de dobrar o Ebitda em até oito anos.
S&P rebaixa nota e mantém perspectiva negativa
Na última semana, a S&P Global rebaixou o rating de crédito da CSN de ‘BB-’ para ‘B+’ na escala global, citando riscos ligados à execução e ao prazo do plano de redução de alavancagem.
A agência estima que a alavancagem ajustada da empresa fique acima de 5,0 vezes em 2026, caso os desinvestimentos não sejam concluídos. A S&P também atribuiu perspectiva negativa, indicando risco de novo rebaixamento nos próximos 12 meses se a empresa não conseguir vender ativos e se o desempenho operacional piorar, mantendo a alavancagem elevada e pressionando a liquidez.

