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Como venda de medicamentos em plataformas digitais mexe com varejo farmacêutico

Lucas Andrade
10 de agosto de 2026

A Anvisa revogou medidas que proibiam a venda e a publicidade de medicamentos por plataformas digitais, abrindo espaço para que aplicativos como iFood, Rappi e Mercado Livre ampliem sua atuação no setor farmacêutico. A decisão, publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira, segue a Lei 15.357, sancionada em março de 2026, que permite a farmácias e drogarias licenciadas contratar canais digitais para logística e entrega, desde que respeitadas as regras sanitárias.

Em relatório, o BTG Pactual destacou que a mudança não significa autorização irrestrita para que plataformas vendam medicamentos diretamente, já que a farmácia continua no centro da transação e a Anvisa ainda precisa detalhar normas de implementação. O movimento, no entanto, elimina incertezas regulatórias e deve acelerar o desenvolvimento de ofertas digitais, aumentando a pressão competitiva sobre redes tradicionais.

Entre os beneficiados, o iFood aparece como destaque por sua base de usuários, frequência de uso e infraestrutura de entregas rápidas. A empresa já recruta farmácias parceiras, oferece integração de estoque e programas de fidelidade, além de contar com mais de 400 mil entregadores. O relatório aponta que sua vantagem está na conveniência e no tráfego, especialmente em compras urgentes e categorias de OTC e HPC.

Por outro lado, grandes redes como Raia Drogasil (RD Saúde) mantêm vantagens estruturais relevantes. Com ampla rede de lojas, estoque diversificado e escala de compras, essas empresas conseguem unir sortimento profundo, logística eficiente e confiança do consumidor. O BTG Pactual ressalta que, diferentemente da entrega de alimentos, a compra de medicamentos exige precisão em moléculas, dosagens e marcas, o que reforça o papel das farmácias licenciadas.

O relatório conclui que a decisão da Anvisa aumenta a competição, mas também abre novos canais de aquisição de clientes para incumbentes, desde que os termos econômicos sejam atrativos. O cenário futuro deve ser marcado pela disputa entre diferentes ecossistemas omnichannel, combinando lojas físicas, plataformas digitais e logística integrada.

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