Lucro ficou estável, mas receitas e volume de vendas abaixo do esperado indicam demanda mais fraca e crescimento moderado para 2026
A Coca-Cola iniciou 2026 sob pressão após divulgar resultados do quarto trimestre e do acumulado de 2025 abaixo das expectativas do mercado. Embora o lucro tenha se mantido estável, o desempenho mais fraco das receitas e a estagnação no volume de vendas frustraram investidores e analistas.
A companhia registrou lucro líquido de US$ 2,27 bilhões no período, ligeiramente acima dos US$ 2,2 bilhões apurados no mesmo trimestre de 2024. A margem operacional consolidada avançou para 28,7%, ante 21,2% um ano antes. Ainda assim, o mercado reagiu negativamente ao ritmo mais lento de crescimento: as ações chegaram a cair cerca de 4% no pré-mercado após a divulgação dos números.
O cenário reflete uma desaceleração da demanda por refrigerantes em mercados importantes, especialmente na América do Norte e na Ásia. A inflação acumulada nos últimos anos tem pressionado o consumo, levando parte dos clientes a buscar alternativas mais baratas. Para preservar margens, a empresa tem recorrido a reajustes frequentes de preços, estratégia que compensou custos mais altos, mas também afetou o volume vendido.
No quarto trimestre de 2025, a receita somou US$ 11,8 bilhões, levemente abaixo das projeções de analistas. No acumulado do ano, a companhia faturou US$ 47,9 bilhões, crescimento de 2%. O lucro por ação avançou 4% no trimestre, para US$ 0,53, enquanto o lucro ajustado chegou a US$ 0,58. No ano cheio, o lucro por ação subiu 23%, para US$ 3,04.
O volume global de caixas vendidas cresceu apenas 1% no fim de 2025 e permaneceu estável no acumulado anual. Já o indicador de preço/mix — que combina reajustes e composição das vendas — avançou 1% no trimestre e 4% no ano.
Para 2026, a Coca-Cola projeta crescimento orgânico de receitas entre 4% e 5%, abaixo da média estimada pelo mercado. O lucro por ação ajustado deve avançar entre 7% e 8%, em linha com as previsões de analistas.
Diante da menor demanda por refrigerantes tradicionais, a empresa tem reforçado a presença em categorias consideradas mais resilientes, como bebidas sem açúcar, esportivas, chás prontos e produtos voltados ao público interessado em saúde e bem-estar. A linha Fairlife, de bebidas lácteas proteicas, ganhou destaque nesse movimento, que também acompanha mudanças de hábitos alimentares e o avanço de medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos.
O desempenho regional foi desigual: na Ásia-Pacífico, o volume permaneceu estagnado no quarto trimestre, enquanto na América do Norte houve leve crescimento sustentado principalmente por aumentos de preços.
Apesar do momento mais desafiador, o CEO James Quincey mantém uma visão positiva de longo prazo e afirma que a companhia seguirá focada na execução da estratégia e no fortalecimento do sistema global. Para 2026, a Coca-Cola projeta fluxo de caixa livre de cerca de US$ 12,2 bilhões e investimentos de capital próximos de US$ 2,2 bilhões.
