Nespresso afirma que fazendas com práticas mais avançadas produziram 20% mais e emitiram 25% menos carbono durante a safra de 2025
A seca de 2025 colocou à prova a capacidade de adaptação das lavouras de café. Em um monitoramento realizado pela Nespresso com mais de 240 propriedades, as fazendas consideradas mais avançadas em agricultura regenerativa apresentaram produtividade média de 36 sacas por hectare, ante 30 sacas nas demais.
Segundo os dados divulgados pela empresa, esse grupo utilizou mais fertilizantes orgânicos, plantas de cobertura e insumos biológicos, além de menos herbicidas e pesticidas. As emissões ficaram em 1,6 quilo de CO₂ por quilo de café, contra 2,1 quilos no restante da amostra.
Os números indicam que práticas voltadas à recuperação do solo começam a ser tratadas não apenas como uma agenda ambiental, mas também como ferramenta de proteção da produtividade diante de secas e outros eventos extremos. A análise, porém, foi realizada dentro da rede de fornecedores da própria companhia.
Em 2025, 95% do café adquirido pela Nespresso no Brasil veio de propriedades que adotavam práticas regenerativas, acima dos 84% registrados em 2022. O país responde por cerca de 30% do volume global de café verde comprado pela marca.
A estratégia foi apresentada por Daniel Motyl, gerente de Café Verde da Nespresso Brasil, e Carolina Siqueira, líder regional de Desenvolvimento de Negócios da PUR, ao lado dos produtores André Cunha, da Fazenda Bela Época, e Mariana Heitor, da Reserva Heitor, duas propriedades citadas pela empresa como referências na adoção de práticas regenerativas.
A Fazenda Bela Época, na Alta Mogiana, combina o cultivo de café com espécies como banana, cedro australiano, mogno e eucalipto. Já a Reserva Heitor, no Cerrado Mineiro, utiliza corredores ecológicos com vegetação nativa e registrou redução de 44% na infestação do bicho-mineiro, segundo os dados apresentados.
Para estimular a adoção dessas técnicas, a empresa anunciou o Prêmio Regenerativo Avançado, que prevê cerca de R$ 6 milhões em pagamentos adicionais aos produtores. Somados aos demais aportes e ao suporte técnico oferecido a aproximadamente 500 fazendas, os investimentos anuais na cadeia brasileira devem superar R$ 70 milhões, segundo a companhia.
A Nespresso também levará ao Brasil um programa de restauração de paisagens conduzido pela PUR. A primeira etapa será concentrada nas regiões do Alto Paranaíba e do Vale da Grama, no Cerrado Mineiro, com previsão de plantar cerca de 98 mil árvores na safra 2026/2027, em parceria com 11 cafeicultores.
O projeto inclui quebra-ventos, árvores plantadas entre as linhas de café e reflorestamento de áreas com vegetação nativa. A proposta é reduzir a erosão, favorecer a retenção de água, ampliar a biodiversidade e criar condições mais estáveis para as lavouras em períodos de calor e estiagem.
Legenda da foto:
Da esquerda para a direita, André Cunha, da Fazenda Bela Época; Carolina Siqueira, da PUR; Daniel Motyl, da Nespresso Brasil; e Mariana Heitor, da Reserva Heitor, durante evento sobre agricultura regenerativa — Crédito: divulgação/Nespresso
