Negócio de R$ 3 bilhões foi liberado sem restrições após órgão concluir que operação não traz riscos relevantes à concorrência no mercado de software
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição da Linx pela Totvs, encerrando a análise antitruste de uma das principais transações recentes do setor de tecnologia no Brasil. A decisão foi tomada pela Superintendência-Geral do Cade e publicada no Diário Oficial da União.
No parecer, o órgão destacou o racional estratégico da operação, sustentado pela complementaridade entre as empresas. A Totvs tem forte presença em softwares de gestão para manufatura, logística, distribuição e agronegócio, enquanto a Linx atua com foco no varejo, oferecendo soluções para frente de loja, gestão empresarial e integração entre canais físicos e digitais.
A Superintendência-Geral avaliou tanto sobreposições horizontais quanto possíveis relações não horizontais nos mercados em que as duas companhias atuam, incluindo softwares de gestão empresarial e soluções de transferência eletrônica de fundos. Mesmo nos segmentos com atuação simultânea, o Cade concluiu que há rivalidade suficiente e condições de entrada para novos concorrentes, descartando riscos concorrenciais. Por isso, a operação foi aprovada sem exigência de remédios ou condicionantes.
A transação foi anunciada pela Totvs em 22 de julho de 2025 e envolve a compra da Linx — então controlada pela Stone — por cerca de R$ 3,05 bilhões. Segundo a Totvs, o pagamento será feito com recursos próprios e instrumentos de dívida contratados em condições consideradas favoráveis.
Com o aval do Cade, a Totvs deve avançar na integração das operações e ampliar a atuação em áreas como varejo, educação, moda e saúde. Na avaliação do órgão, o movimento tende a ocorrer sem prejuízo à concorrência e mantendo a dinâmica competitiva do mercado brasileiro de software empresarial.
