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Bradesco aposta em capitalização de R$ 10 bi e BTG vê passo decisivo para recuperação

Rodrigo Dias
30 de julho de 2026
Banco afirma que recursos vão acelerar a transformação da instituição, enquanto analistas do BTG Pactual avaliam que a operação fortalece a estrutura de capital e aumenta a credibilidade do plano de turnaround

O anúncio do Bradesco de um aumento de capital de até R$ 10 bilhões surpreendeu o mercado, mas foi recebido de forma positiva pelo BTG Pactual, que classificou a operação como um movimento necessário para fortalecer a estrutura financeira do banco e acelerar sua transformação. A emissão será realizada por meio da subscrição privada de novas ações, com direito de preferência aos atuais acionistas, enquanto os controladores já se comprometeram a aportar até R$ 8 bilhões, praticamente assegurando o sucesso da operação.

Na avaliação do BTG, o reforço de capital representa um passo importante para tornar mais consistente o processo de recuperação do Bradesco. Os analistas destacam que a geração de capital tangível se tornou um dos principais pilares da estratégia da administração para elevar a rentabilidade e dar mais flexibilidade ao banco para investir e crescer. Segundo o relatório, o aporte também melhora a qualidade da estrutura de capital e deve acrescentar cerca de 90 pontos-base ao índice principal de capital.

O banco de investimentos ressalta que a iniciativa partiu dos próprios controladores (entre eles a Cidade de Deus e a Fundação Bradesco), que decidiram ampliar sua exposição ao banco ao considerar que a instituição está descontada em bolsa e que seu retorno sobre patrimônio (ROE) voltou a superar o custo de capital. Para o BTG, esse movimento reforça a confiança dos acionistas de referência na continuidade do plano de transformação e na recuperação da rentabilidade da instituição.

Apesar da avaliação favorável, o relatório reconhece que a reação inicial dos investidores pode ser cautelosa. Na visão dos analistas, o aumento de capital pode ser interpretado como um indicativo de que o Bradesco precisava reforçar seu caixa, contrariando parte da percepção do mercado de que o banco já operava com uma posição confortável de capital. Ainda assim, o BTG considera que enfrentar essa questão agora é preferível a adiar decisões estruturais.

Outro ponto destacado é que, diferentemente da tentativa frustrada de capitalização anunciada em 2015, a operação atual apresenta elevado grau de segurança para sua conclusão. Como o compromisso firmado pelos controladores corresponde ao valor mínimo necessário para homologar a emissão, o risco de cancelamento é significativamente menor, mesmo que os acionistas minoritários não exerçam integralmente seus direitos de subscrição.

Para o BTG, o aumento de capital marca uma mudança de postura da administração do Bradesco, que demonstra maior pragmatismo para enfrentar desafios históricos do banco. Os analistas afirmam que, se a execução do plano continuar nesse ritmo, a história de recuperação da instituição tende a ganhar credibilidade, criando condições para uma melhora gradual dos resultados e da percepção dos investidores no longo prazo.

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