Mesmo com tarifas e incertezas no setor automotivo, montadoras apostam em demanda resiliente e custos sob controle
Na contramão de concorrentes como Mercedes-Benz, Volvo, Volkswagen, Audi, Porsche e Stellantis, que revisaram ou abandonaram suas projeções para 2025 diante do aumento dos custos tarifários e da incerteza econômica, a BMW e a Ferrari mantiveram suas expectativas para o ano.
A BMW reafirmou suas metas para 2025, citando demanda firme em diversos mercados e um cenário macroeconômico mais favorável, com inflação estabilizada e possíveis cortes de juros. A montadora alemã projeta uma margem ebitda automotiva entre 5% e 7% e lucros estáveis em relação a 2024, apesar do impacto tarifário estimado em 1,25 ponto percentual no lucro operacional de sua divisão automotiva.
Já a Ferrari indicou que não sofreu efeitos significativos com as tarifas de importação dos EUA sobre veículos da União Europeia no segundo trimestre. A empresa italiana de carros de luxo retirou o risco tarifário de suas projeções após um acordo recente entre EUA e UE, e agora prevê custos industriais menores na segunda metade do ano.
A montadora havia considerado reajustes de até 10% em seus preços para compensar tarifas, exceto para modelos como o 296, Roma e SF90. Antes do acordo, até 50 pontos-base da rentabilidade projetada estavam sujeitos a riscos tarifários.
No segundo trimestre, a Ferrari teve lucro líquido de 425 milhões de euros, acima dos 413 milhões de euros de um ano antes. A receita avançou 4,4%, para 1,79 bilhão de euros, com 3.494 veículos entregues — ligeiramente abaixo da previsão de 3.523 da FactSet e aquém da receita esperada de 1,83 bilhão de euros.
