CFO aponta trajetória com oscilações e ajustes após tombo de 45,4% em 2025, pressionado por inadimplência
O Banco do Brasil deve enfrentar uma recuperação em formato de “W” nos próximos ciclos, com períodos de ajuste antes da retomada mais consistente da rentabilidade. A avaliação é do vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores (CFO), Marco Geovanne Tobias.
A declaração foi feita durante encontro com investidores e analistas realizado nesta quinta-feira (23). Segundo o executivo, ainda não há consenso interno sobre o ritmo da recuperação, mas a tendência, em sua visão, é de uma trajetória marcada por oscilações.
“Acho que a recuperação será em W, pois ainda vamos passar por momentos de ajustes para depois retomar a rentabilidade”, afirmou.
O cenário reflete o desempenho mais fraco do banco em 2025. A instituição encerrou o ano com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, uma queda de 45,4% em relação a 2024 — o menor resultado desde 2020. A deterioração da carteira de crédito foi o principal fator por trás da retração.
A inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,17% ao fim de 2025, avanço de 2,11 pontos percentuais frente aos 3,16% registrados no quarto trimestre de 2024. Parte desse aumento foi influenciada por um evento específico no segmento de atacado, que gerou impacto estimado em R$ 3,6 bilhões. Desconsiderando esse caso, o índice seria de 4,88%.
Mesmo com o ajuste, o Banco do Brasil segue com o maior nível de inadimplência entre os grandes bancos. No comparativo, o Itaú Unibanco apresenta índice de 1,9%, seguido por Santander Brasil (3,7%) e Bradesco (4,1%).
A pressão maior vem da carteira de crédito do agronegócio, cuja inadimplência avançou 3,86 pontos percentuais em 12 meses. O movimento elevou as provisões para devedores duvidosos (PDD), que somaram R$ 17,9 bilhões no período — alta de 93,9% na comparação anual.
Apesar do cenário mais desafiador, o banco mantém a expectativa de melhora gradual. “Nosso foco é uma recuperação de longo prazo com uma carteira de crédito sustentável”, disse Tobias.
