Medida ainda será analisada pelo Tesouro Nacional, que precisará ser avalista da operação
Um grupo de cinco bancos fechou uma proposta para emprestar R$ 12 bilhões aos Correios. A estatal ainda aguarda o envio da documentação. A medida ainda será analisada pelo Tesouro Nacional, que precisará ser avalista da operação. Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander devem participar do negócio.
A empresa acumula prejuízo de R$ 6,05 bilhões de janeiro a setembro deste ano e busca recursos para conseguir reequilibrar as contas. Desde 2022, o prejuízo da estatal chega a R$ 10 bilhões. As negociações ganharam fôlego após a entrada da Caixa Econômica Federal no rol de instituições dispostas a emprestar os recursos.
No início do mês, o Tesouro reprovou um empréstimo de R$ 20 bilhões, valor inicialmente pleiteado pela estatal, depois que cinco bancos cobraram juros de 136% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) na operação. O órgão entendeu que os juros teriam que ficar dentro do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Comitê de Garantias do Tesouro.
Com o empréstimo, a empresa pretende quitar uma dívida de R$ 1,8 bilhão, pagar fornecedores em atraso, além de financiar um programa de desligamento voluntário (PDV) e fazer investimentos para tentar recuperar espaço no mercado de encomendas e elaborar novas fontes de receitas.
Esta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a negociação estava avançada e que havia chance de o governo fazer um aporte na estatal, mas que essa eventualidade ficaria dentro do arcabouço fiscal. “Um caminho é o aporte que pode se tornar necessário se nós não chegarmos a um acordo com o pool de bancos que vão financiar a reestruturação da companhia. Não vamos ficar com a faca no pescoço por conta da incompreensão da parte de uma ou outra instituição financeira”, afirmou.
Segundo ele, o mundo inteiro achou solução para manter serviços essenciais da estatal sem privatizar as empresas. A saída foi agregar outros serviços além do postal, como produtos financeiros, previdências e seguros.
Em meio à crise, o governo Lula editou um decreto para que estatais não dependentes que estejam passando por dificuldades operacionais possam apresentar plano de reequilíbrio econômico-financeiro, inclusive com possibilidade de aporte futuro do Tesouro.
Para voltar a ter lucro em 2027, os Correios terão de passar por uma reestruturação que requer um ajuste entre R$ 6 bi a R$ 8 bilhões no seu orçamento anual, entre cortes de gastos e aumento de receitas. Segundo pessoas próximas à estatal, esse é um número aproximado ao que está sendo trabalhado pela atual diretoria da empresa, e é visto como extremamente desafiador por analistas.
A partir de 2027, no entanto, a meta já é voltar a ter lucro, como disse o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, em coletiva a jornalistas, em meados de outubro. Por isso, a empresa terá que atuar nas duas pontas para se reequilibrar: cortar gastos e aumentar receitas.
Um ajuste entre R$ 6 bi e R$ 8 bilhões é complexo, tendo em conta a previsão de economia de R$ 1,4 bilhão com o Programa de Demissão Voluntária (PDV), para 15 mil funcionários anunciado pela estatal. Os Correios postergaram a contratação dos aprovados em concurso de 2024, que acontecerá apenas em 2027.
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