Governo exige redução de taxas para liberar garantia da União
O Tesouro Nacional vetou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões pelos Correios, operação negociada com o Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A decisão ocorreu em reunião nesta terça-feira (2) em Brasília, suspendendo o processo aprovado pelo conselho da estatal em novembro.
A estatal buscava o recurso para reforçar a liquidez de curto prazo e financiar sua reestruturação, em meio a uma crise financeira agravada. Anunciada em outubro, a operação dependia de garantia da União, mas o Tesouro comunicou que não autorizaria contratos com juros acima do limite estabelecido.
O principal motivo do bloqueio foi a taxa proposta pelos bancos de 136% do CDI (cerca de 18% ao ano, com Selic em 15%), superior ao teto de 120% do CDI fixado pelo Tesouro para operações garantidas pelo governo federal. Essa exigência visa conter custos elevados que poderiam onerar o Tesouro Nacional a longo prazo, com juros bilionários projetados em dez anos.
Com a negativa, os Correios suspenderam as negociações e avaliam alternativas, mantendo tentativas de renegociar condições mais favoráveis com os bancos. O Ministério da Fazenda reforçou que a garantia soberana só será liberada se as taxas se enquadrarem nos parâmetros permitidos.
A estatal enfrenta um rombo crescente, e o episódio destaca tensões entre necessidades operacionais e controle fiscal do governo. Paralelamente, o Ministério Público pediu ao TCU análise da operação, citando riscos de agravamento da crise financeira dos Correios.
