Montadora alemã prevê queda nas margens e aponta desvantagem competitiva diante de rivais com produção nos Estados Unidos; novo acordo comercial estabelece tarifa fixa de 15% para carros europeus
A Audi, marca premium do grupo Volkswagen, revisou para baixo suas projeções de receita e margem operacional para 2025 em resposta às novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira (28), a montadora alemã agora espera um faturamento entre € 65 bilhões e € 70 bilhões. A meta anterior previa uma receita entre € 67,5 bilhões e € 72,5 bilhões.
A previsão de margem operacional também foi reduzida. A expectativa passou de uma faixa entre 7% e 9% para um intervalo mais conservador, entre 5% e 7%. A empresa atribui a revisão às tarifas mais altas impostas pelo governo norte-americano e aos custos contínuos com reestruturação.
As mudanças foram anunciadas um dia após a formalização de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O pacto estabeleceu uma tarifa de 15% para a importação de automóveis europeus. Anteriormente, a taxa era de 27,5%. Mesmo com a redução, a tarifa permanece elevada em comparação com os 2,5% praticados antes da posse do presidente Donald Trump.
Exposição maior aos EUA
A Audi é uma das montadoras mais expostas aos impactos da nova política tarifária, pois não possui fábricas em território norte-americano. Segundo Fabio Hoelscher, analista da Warburg Research, a tarifa de 15%, se mantida no longo prazo, colocará a empresa em desvantagem competitiva em relação a concorrentes que produzem veículos nos Estados Unidos.
Apesar de o novo acordo oferecer maior previsibilidade para o planejamento estratégico, analistas destacam que as montadoras europeias estão diante de uma mudança estrutural no cenário comercial. De acordo com Pal Skirta, analista da Metzler Equities, a nova taxa representa um salto significativo em relação ao regime anterior e traz desafios de competitividade no longo prazo.
O Grupo Volkswagen, controlador da Audi, também foi afetado pelas medidas. A empresa cortou sua orientação anual depois de registrar um impacto tarifário de 1,5 bilhão de dólares no primeiro semestre de 2025.
