Negócio de R$ 69,3 milhões com o grupo dono da bandeira Oba Hortifruti faz parte da estratégia da varejista de enxugar operações e melhorar rentabilidade após crise contábil e recuperação judicial
A Americanas anunciou a venda de dez lojas da rede Hortifruti Natural da Terra, localizadas no estado de São Paulo, para o Grupo Fartura, controlador da bandeira Oba Hortifruti. A operação foi fechada em R$ 69,3 milhões e envolve unidades consideradas deficitárias pela companhia. A companhia mantém conversas avançadas para vender as três lojas remanescentes na capital paulista.
A transação faz parte do processo de reestruturação da varejista, que busca simplificar sua operação e focar em negócios considerados mais rentáveis e estratégicos. Segundo a empresa, as lojas vendidas apresentavam desempenho abaixo do esperado e exigiam investimentos adicionais em um momento em que a companhia prioriza geração de caixa e eficiência operacional.
O movimento ocorre em meio aos esforços da Americanas para reconstruir sua operação após a crise desencadeada pela descoberta de inconsistências contábeis bilionárias reveladas em janeiro de 2023. Desde então, a empresa entrou em recuperação judicial, renegociou dívidas e passou a revisar ativos e operações consideradas não essenciais.
A venda das unidades do Natural da Terra também reforça a estratégia da companhia de concentrar investimentos no core business de varejo alimentar leve, conveniência e integração entre lojas físicas e digital. Executivos da empresa afirmaram que a meta é retomar uma estrutura operacional mais enxuta e sustentável financeiramente após o processo de recuperação judicial.
Para o Grupo Fartura, dono da rede Oba Hortifruti, a aquisição amplia a presença em São Paulo e fortalece sua atuação no segmento de hortifrúti premium. As dez lojas negociadas operam exclusivamente no mercado paulista e serão incorporadas à estratégia de expansão do grupo comprador.
No mesmo dia em que anunciou a venda das lojas, a Americanas divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 336 milhões nas operações continuadas, redução de 24,8% em relação às perdas de R$ 447 milhões registradas no mesmo período do ano anterior. A melhora foi atribuída ao avanço das vendas, à redução de despesas operacionais e ao ganho de eficiência com a integração entre canais físicos e digitais.
