Grupo franco-holandês é o primeiro a apresentar manifestação formal de interesse na privatização da companhia portuguesa, que pode vender até 44,9% do capital
A Air France-KLM tornou-se o primeiro grupo aéreo a apresentar formalmente uma manifestação de interesse na privatização da TAP, passo inicial do processo que pode levar um investidor a adquirir até 44,9% da companhia portuguesa.
O anúncio foi feito pelo CEO da holding franco-holandesa, Ben Smith, que confirmou o envio da documentação na noite de terça-feira. O governo português estabeleceu 22 de novembro como prazo final para essa primeira fase. A disputa é restrita a empresas do setor com faturamento mínimo de € 5 bilhões em qualquer um dos últimos três anos. Dos 49,9% a serem vendidos, 5% serão reservados aos trabalhadores da TAP.
As propostas serão avaliadas com base nos planos estratégicos, no valor oferecido e no compromisso de expansão de frota e malha, especialmente em rotas para países de língua portuguesa. Lisboa deverá permanecer como hub central.
Smith afirmou que a Air France-KLM preservaria a marca TAP, manteria o hub da companhia na capital portuguesa e reforçaria a rede global. Ele não revelou valores, mas destacou que o negócio se encaixa na estratégia de margem operacional de médio prazo de 8%. A companhia portuguesa, segundo ele, também se beneficiaria da forte presença da holding na América do Norte.
A concorrência pela TAP deve incluir Lufthansa e IAG, dona da British Airways. Analistas enxergam a empresa portuguesa como o “próximo grande negócio da aviação europeia”, graças à relevância de suas rotas para o Brasil, presença na África e conexões com a América do Norte. A TAP transportou 16 milhões de passageiros em 2024 e se mantém lucrativa desde 2022.
O processo de privatização avança no momento em que a TAP está sob investigação. Na terça-feira, a polícia portuguesa realizou buscas na sede da empresa no âmbito da operação “Voo TP789”, que apura a privatização parcial realizada em 2015 e posteriormente revertida. A Procuradoria investiga possíveis crimes de gestão danosa, corrupção no setor privado, fraude fiscal e irregularidades na compra e cancelamento de aeronaves. A TAP declarou que coopera com as autoridades.
O governo espera convidar os concorrentes qualificados em janeiro para apresentar propostas não vinculativas até abril, com as ofertas finais previstas para meados de 2025.
